“A educação é uma área estratégica do país”
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“A educação é uma área estratégica do país”

Renata Cafardo falou sobre detalhes de seu novo livro, a importância e as mudanças na cobertura jornalística de Educação

Redação

27 Outubro 2017 | 19h44

Renata Cafardo participou da 12ª Semana Estado de Jornalismo

 

Por Bruno Vieira

A jornalista Renata Cafardo começou a cobrir Educação por acaso, em 2000. Desde então virou especialista na área. Além de fundar a Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) ela já ganhou mais de 10 prêmios. Quatro deles graças a reportagem sobre o vazamento do Enem, em 2009. Essa história virou o livro “O Roubo do Enem”, com lançamento marcado para o dia 30/10.

Na obra, Cafardo usa o gancho do roubo da prova para mostrar os bastidores da matéria, o contexto histórico da educação no Brasil e como o Enem se consolidou. Para ela, esse caso mostra a possibilidade de escrever grandes reportagens nessa área. Um cenário que já foi bem diferente.

Ela voltou ao Estadão recentemente — onde já havia trabalhado durante uma década — e conta que no começo dos anos 2000 a cobertura de Educação era limitada. “Eu fazia matéria de aumento na matrícula de escola particular ou greve”, diz. “Isso que era considerado matéria importante”. Foi com o surgimento de indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que as possibilidades de pauta aumentaram e as reportagens ganharam outra importância. “A educação ficou mensurável”, afirma.

Cafardo destaca que, hoje, muitas das pautas dessa área são feitas com jornalismo de dados. “Para quem gosta de mexer com dados, a educação é um campo aberto e que rende matérias interessantíssimas”, diz. A acessibilidade dessas informações também contribuiu para a diversificação das pautas. Porém, ainda faltam jornalistas especializados na área.

Foi por isso que ela fundou a Jeduca no ano passado: para incentivar que o assunto ganhe mais espaço na imprensa. “A educação é uma área estratégica do país”, afirma. “A quantidade de jornalistas cobrindo educação tem que ser a mesma dos que estão fazendo economia”.

Ela enxerga um potencial de crescimento muito grande dessa área dentro das redações. Segundo Cafardo, a educação é onde está o dinheiro de muita gente, de fundações e universidade privadas, por exemplo, por isso há um interesse nessa cobertura. “É importante do ponto de vista social e ainda tem esse interesse, então acho que é uma área para o jornalista investir”, diz.

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