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A gaveta das boas ideias

Redação

16 Setembro 2011 | 22h00

Todo mundo já quis ser um pouquinho Gay Talese. Entramos na faculdade pensando em um futuro recheado de boas histórias, perfis memoráveis e, quem sabe, até um livro com nosso nome em auto-relevo estampado na capa. (Tive um professor na faculdade que dizia que essa denominação “jornalismo literário” é, na verdade, a busca pela eternidade do livro. Nem nós mesmos acreditamos no nosso trabalho. Mas isso aí é discussão para outro momento). Os períodos vão passando, a vida adulta começa a tomar forma, temos os primeiros contatos com o jornalismo da vida e concluímos: “É, não dá para ser Gay Talese.”

De fato, Gay Talese(s) não se formam aos montes. Muito menos em quatro anos. A gente sabe disso. Só queria ser um pouquinho como ele, Tom Wolfe, Trumam Capote – 0,01% já estava bom. “Mas também não existe espaço para isso nos jornais atuais” – ouvimos isso, repetimos para quem quiser ouvir (e para nós mesmo) e vamos montando nossas pirâmides invertidas diárias.

A conversa com os jornalistas Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, ambos do caderno Metrópole, me fez lembrar que ainda existem vozes que pronunciam frases diferentes na mesmice “mas não existe espaço!”. Os dois contaram para os focas que, se você acredita e batalha por uma ideia, existe espaço, sim. É claro que não dá para ficar meses e meses escrevendo um perfil para ser publicado “na edição da primeira quarta-feira de novembro”. Se existe alguma coisa noticiosa para dar gancho à matéria, por que não? É só correr atrás, convencer o editor e compartilhar com o leitor a sua boa ideia.

Talita Duvanel, de 24 anos, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)