“A Mata Atlântica faz parte do nosso DNA”
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“A Mata Atlântica faz parte do nosso DNA”

Redação

10 de junho de 2015 | 23h15

Patrícia de Oliveira

No final do segundo dia da 3ª Semana Estado de Jornalismo Ambiental, a coordenadora da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro comentou que é uma grande satisfação fazer parte do projeto.

Malu-Ribeiro

Segundo ela, além de ser um trabalho com resultados positivos para a sociedade é uma causa. Por essa razão, considera ser um privilégio trabalhar com o que você acredita e luta. “A Mata Atlântica faz parte do nosso DNA. Por isso é gratificante trabalhar no projeto”, explica.

Em sua opinião, várias medidas devem ser tomadas para permitir à segurança hídrica e o combate à poluição, porém a mais estratégica é reconhecer o papel da Mata Atlântica para garantir a reposição do ciclo hidrológico.

“Se a população cresceu oito vezes e o consumo da demanda por água cresceu de 8 a 10 vezes, a água no planeta é a mesma desde que se formou. Só as florestas tem essa possibilidade de manter o volume de chuva e saudáveis os aquíferos. Deste modo, no mesmo grau de prioridade é promover a despoluição”, explica.

Para a coordenadora, as pessoas têm de devolver água para o ambiente e os rios na mesma ou em melhor qualidade em que foi consumido. No período pôs guerra, a Alemanha não tinha condições nenhuma de se erguer se não tivesse feito uma legislação que foi muito simples.

“Você pode pegar a água abaixo do você lança do seu esgoto. Assim você devolve o esgoto com uma grande eficiência, qualidade e garante à sustentabilidade, o que não se verifica no Brasil”, comentou.

Segundo ela, a cultura de abundância de água no Brasil foi sempre de usar os grandes rios como o rio Tietê, que tem mais de 1,1 mil quilômetros para diluir esgoto e levar tudo àquilo que a gente não quer mais, como bicho morto, sofá e até influentes. Por esse motivo é preciso aprender a nossa relação com os recursos naturais e tratar dos recursos hídricos.

Malu acredita que o tem de mais moderno é a gestão por bacia hidrográfica. Reconhecer o território da bacia hidrográfica e trazer todos os atores da sociedade civil organizada, os usuários de água, poderes públicos para fazer essa gestão olhando para a bacia e definir o planejamento estratégico porque a natureza não reconhece a divisão político administrativa.

A coordenadora também disse que o plano diretório de São Paulo apresenta grandes falhas, principalmente ao pensar e olhar para as áreas verdes com interesse no uso e não da conservação.

Para Malu, São Paulo precisa de uma visão estratégica do solo para garantir qualidade de vida para as populações. Por isso é estratégico que esse ordenamento do território recomponha e crie parques lineares entre as áreas verdes, os fragmentos de áreas verdes dos municípios contidos no extremo Norte e Sul: no coração da cidade não temos corredores ou uma conexão entre  esses  dois rios  .

“Se criar parques a população vai reaprender a resgatar a convivência com os rios e, desta forma, não vai agredi-los”, conclui.

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