A preparação diária para um bom jornalismo
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A preparação diária para um bom jornalismo

Redação

29 Setembro 2011 | 13h00

Dezenas de jornalistas correm pela mesma notícia. Preparação é o diferencial. Foto: Agência Brasil

Na semana passada, o Comunique-se publicou que “os estudantes de Comunicação Social têm pior desempenho na escrita do que os universitários da área de exatas, como Engenharia, por exemplo. No estudo, os engenheiros obtiveram a melhor avaliação e 87,5% conseguiram passar no teste”, enquanto 65,3% dos alunos de Comunicação foram reprovados.

Como assim essa galera de Exatas escreve melhor que a gente?

Ao longo da matéria, percebe-se que o que é avaliado é gramática, não a escrita em si. Em janeiro deste ano, “dez mil candidatos a vagas de estágio realizaram um ditado de 30 palavras, que permitia até seis erros. Dentre as palavras avaliadas estavam: desajeitado, autorizar, exceção, seiscentos e anexo.”

Acho grave um estudante de Publicidade não saber escrever anexo. E em pior situação está um estudante de RP que desconhece a grafia de autorizar. E é triste ver um jornalista escrever em seu bloquinho que seu entrevistado é uma “excessão”.

Apesar do drama, não acho que isso seja a doença, mas um sintoma.

Os estudantes de Jornalismo, em geral, esperam que a universidade dê o pacote completo. A maioria espera sair expert em redação, anseiam felizes e satisfeitos que seus professores cuspam os leads dos melhores livros, e que isso seja o suficiente para formar toda sua bagagem teórica. Não vão além do arroz e feijão da academia.

É sempre um exercício interessante perguntar para pessoas diferentes, da mesma turma da faculdade, o que cada uma achou do curso. As respostas vão de “péssimo” a “fascinante”. Pergunto: quem está errado? Ninguém.

É o jornalista que faz a faculdade, é o foca que faz o curso. São as suas referências pessoais que determinam a quantidade e a qualidade das informações que você retém das aulas e da redação. Na nossa profissão, tem que ler e estudar, sim e sempre. E na 22ª turma de focas, há 30 cursos em andamento. Cada um aprende o que quer, o que consegue.

O diferencial do bom jornalista é ele perceber que para ser um bom profissional, ele dever ser, no mínimo, um ser humano interessante. Tem que ter a pegada com informação, tem que ir além do preto-no-branco. Jornalista bom não pode acreditar em tudo, muito menos de primeira. É preciso investigar, debulhar dados, ser insatisfeito, ser “humilde sem ser subserviente”, como se diz aqui no Curso. Jornalista bom segue o ditado que o repórter especial Lourival Sant’Anna ensinou para os focas: “A sua mãe diz que te ama? Cheque”.

Natália Peixoto Rodrigues, de 24 anos, é formada em Jornalismo pela PUC-SP