Ainda não, mas quase
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Ainda não, mas quase

Redação

16 Novembro 2010 | 19h00

Focas convivem com um dilema. Ainda não estamos de fato numa redação, mas quase. E esta sensação de “quase lá” leva boa parte de nós ao limite da força para chegar “lá”, à redação.

Não é raro ouvir histórias de focas que ficam no prédio do Estadão até as 23h, 23h30. O último fretado para a Barra Funda sai às 23h45. Logo, até lá, o tempo pode ser útil. Trabalho, para nós, não falta.

Outra característica é o constante estado de alerta. Apesar da dedicação, do ânimo, é preciso saber o que está ocorrendo ao seu lado.

Lendo o livro Inverno da Guerra, de Joel Silveira, que narra seus tempos de correspondente na Segunda Guerra Mundial pelos Diários Associados, encontrei o relato dele sobre sua relação com Egydio Squeff, correspondente de O Globo.

“Squeff era frágil, ardiloso: nos últimos dois meses de guerra, que foram os mais intensos, eu procurava de toda maneira não me desgrudar dele, jamais perdê-lo de vista. E ele fazia o mesmo.” Nessa passagem, ele descreve a relação de amizade/competição entre os dois.

Entre os focas, não ocorre o mesmo, mas quase. Todos querem ter boas ideias (e elas de fato fluem em abundância por aqui). Todos querem reconhecer as boas ideias. Todos em alerta, todos buscando seu lugar “lá”, na redação.

Ao mesmo tempo em que o tempo é de alerta, é também de exploração. Nas tardes e fins de semana passados no jornal, o contato direto com o trabalho de cada editoria nos ajuda a saber o que de fato gostamos. A que parte do jornalismo queremos nos dedicar.

Pois além de lidar com o “ainda não, mas quase”, ficamos em constante estado de alerta. E, mesmo sem definições, vem a atividade de exploração. Explorar o que queremos dentro da profissão que escolhemos. Ainda não estamos lá, mas quase.

Guilherme Waltenberg, de 25 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp)

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