Não é preciso estar em uma grande redação para fazer jornalismo investigativo, diz Alana Rizzo
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Não é preciso estar em uma grande redação para fazer jornalismo investigativo, diz Alana Rizzo

Especialista em jornalismo investigativo e ex-diretora da Abraji dá dicas para os jovens que pretendem seguir na área

Redação

26 Setembro 2018 | 18h38

Por Jéssica Petrovna

Ao terminar sua palestra na Semana Estado de Jornalismo, Alana Rizzo foi cercada por um grupo de participantes que falavam sobre o interesse pelo gênero investigativo e tentavam extrair uma orientação para começar a seguir na área. Essa é uma das especialidades da jornalista que já foi diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e repórter especializada em política e investigação em diversos veículos.

Antes de falar sobre o tema, ela brinca que “não existe jornalismo investigativo, afinal, todo jornalismo é um processo de investigação”. Ainda de acordo com a jornalista, o que diferencia o gênero do trabalho feito cotidianamente nas redações é o nível de aprofundamento das pautas e do trabalho de apuração.

É por isso que, com redações cada vez mais enxutas e um cenário de instabilidade política que ocupa grande parte do noticiário, essas produções estão cada vez mais escassas. “O chamado jornalismo investigativo está, de certa forma, pausado no Brasil. É claro que existem boas reportagens e grandes jornalistas, mas é cada vez mais difícil ver grandes investigações ou equipes que se dediquem a pautas de longo prazo”, avalia.

Nesse contexto, a palestrante defende que é um trabalho que precisa ser retomado considerando a importância que exerce para a democracia. “O jornalista precisa ir atrás daquilo que ninguém quer que seja revelado, principalmente quem está no poder e está mais suscetível a cometer abusos”.

Com base nessa necessidade, Alana dá algumas dicas para quem está começando agora com o intuito de enveredar por esse caminho e destaca: “Não é preciso estar dentro de um grande jornal para produzir jornalismo investigativo. É só ter uma boa pauta e ir atrás do que ninguém está revelando”.

Nesse sentido, a primeira dica é: fique atento aos dados e, se encontrar alguma coisa que pode render uma boa pauta converse com pessoas mais experientes e peça indicações sobre o melhor caminho a seguir para o desenvolvimento da pauta.

Depois disso, a palestrante recomenda ouvir o maior número de fontes possível. “O bom jornalismo passa por ouvir muitas pessoas. A pauta com um ou duas fontes não tem a mesma qualidade de uma que escuta dez, vinte ou trinta… Assim é possível ver os diversos ângulos e ir ‘montando o quebra cabeça’ aos poucos”, pontua.

Por fim, a ex-diretora da Abraji indica que para iniciar um trabalho investigativo é necessário pesquisar nos bancos de dados abertos ou usar a Lei de Acesso à Informação para encontrar aquilo que, muitas vezes, os repórteres não conseguem encontrar no trabalho cotidiano.