Alex Atala defende conhecimento popular e consumo consciente para valorizar biodiversidade
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Alex Atala defende conhecimento popular e consumo consciente para valorizar biodiversidade

Redação

11 de junho de 2015 | 21h54

Alex Atala e Jerônimo Villas-Bôas discutem o poder da biodiversidade na 3ª Semana Estado de Jornalismo Ambiental

Alex Atala e Jerônimo Villas-Bôas discutem o poder da biodiversidade na 3ª Semana Estado de Jornalismo Ambiental

por Daniel Machado Vivacqua e Felipe Pontes

Defensor da culinária regional brasileira e fundador do Instituto ATÁ, Alex Atala destacou algumas mudanças na gastronomia brasileira e sugeriu que o consumo consciente pode ajudar na conservação da biodiversidade do país. O debate, realizado nesta quinta-feira pela  3ª Semana Estado de Jornalismo Ambiental, contou também com Jerônimo Villas-Bôas, ecólogo e membro do instituto.

“Antigamente, os chefs guardavam suas receitas com cuidado e isso fazia com que as pessoas quisessem provar sua comida. Hoje, revelar os segredos é o que mais vale para chamar a atenção”, afirma Atala. Em outro exemplo, ele diz que, atualmente, a variedade de vinhos é grande, mas, há 20 anos, quase não se tomava vinho no Brasil. “A indústria do vinho salvou o plantel de uva”, afirma o chef.

Para Atala, as pessoas podem escolher melhor o que querem consumir quando têm informações e conhecimento sobre a diversidade de produtos. Em relação à nova lei que desobriga a identificação de alimentos transgênicos,  ele se diz assusatado com a remoção do ‘T’ dos rótulos e afirma que as pessoas precisam se manifestar contra essa medida. No entanto, quando questionado sobre a qualidade de alimentos geneticamente modificados, diz não ter uma opinião formada: “quem não gosta de transgênicos não deve consumí-los”.

Atala e Villas-Bôas também ressaltaram a importância do conhecimento de comunidades tradicionais para a valorização da biodiversidade do país. Villas-Bôas, que estuda abelhas nativas, citou a existência de cerca de 250 espécies no Brasil, além do papel essencial que elas desempenham na polinização de plantas e na produção de alimentos. Ambos defendem que a produção de mel de abelhas nativas pode gerar renda e ajudar na conservação da biodiversidade.

Além do valor nutricional, Atala diz que determinadas variedades de mel têm uso medicinal para algumas populações no interior do país. O Instituto ATÁ  pretende estudar possíveis benefícios do seu consumo para a saúde e lutar pela regulamentação do seu comércio. Segundo Atala, a venda de mel que tenha um nível de umidade superior a 20% é proibida, atualmente, porque o produto pode fermentar.

O Instituto ATÁ nasceu a partir de experiências pessoais, como a que Atala diz ter vivido no Amapá. Assim como todo chef estrangeiro tem sua horta, ele decidiu comprar um terreno para conhecer melhor a terra e as condições em que são produzidos alguns ingredientes que usa em seus pratos, pois como diz “a biodiversidade também passa pela boca”.

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