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Ampliando o cardápio

Redação

30 Setembro 2011 | 06h00

“O que você quer ser quando crescer?”. Quando começam a enveredar pelos caminhos do Jornalismo, muitos de nós já têm a resposta na ponta da língua. “Quero ser um comentarista esportivo!” “Quero escrever sobre cultura, é meu caderno favorito no jornal!” No meu caso, o interesse principal sempre foi por viagem e turismo, gastronomia e comportamento. São assuntos sobre os quais já venho escrevendo em meu blog há pelo menos quatro anos – e em blog a gente só escreve sobre aquilo de que realmente gosta. No que dependesse dessa “vocação”, meu caminho natural seria fugir do ‘hard news’ e me aproximar dos suplementos do jornal, ou então me infiltrar em revistas especializadas.

Logo nos primeiros anos de faculdade, porém, os professores já começam a cantar a pedra: talvez vocês acabem não escrevendo sobre aquilo com que hoje sonham. Em vários casos, a vida levará a guinadas profissionais que estão além da imaginação. Por isso, é melhor tratarem de ter o peito aberto e ser mais flexíveis, para topar as oportunidades que forem aparecendo, ou ao menos considerá-las sem preconceito. Vocês pensam que escolhem, mas na verdade é o mercado que escolhe vocês.

O Curso vai fazendo sua parte para ampliar nossos horizontes. Quando chega a hora de percorrer os veículos do Grupo Estado, não é dada aos focas a prerrogativa de escolher as editorias com que têm mais afinidade: todos os 30 alunos passam pelos mesmos cadernos do Estadão, de Economia a Esporte, e também pelo portal, pela agência, pela rádio. (A única variável – e que depende um pouco da sorte de cada um – é justamente a parte dos Suplementos. Alguns focas são chamados para o Caderno 2, outros para Viagem, outros para o Link ou o .Edu, por exemplo.)

Proporcionar uma experiência diversificada ao aluno do Curso é uma forma de colocá-lo em contato com outras possibilidades, e também de capacitá-lo para aceitar o que vier pela frente, já que as escolhas costumam ser feitas de cima para baixo. “Se vocês pensam que vão chegar ao editor de Metrópole e escolher a pauta que irão fazer, estão muito enganados!”, alertou Carla Miranda.

Se existe uma demanda por um conhecimento mais especializado, por pessoas que consigam ir além da superfície e produzir informação mais elaborada, também se espera do jornalista que seja capaz de transitar por vários assuntos, meios e redações. Já tivemos diante de nós uma universitária indecisa, um jornalista que lançara um livro sobre o ex-presidente Lula e uma equipe que alardeava as maravilhas do mundo dos transgênicos. Tivemos que entrar em todos aqueles universos, elaborar perguntas inteligentes e fazer com que aqueles momentos rendessem, em tese, material de qualidade para o leitor. Talvez alguns de nós não tivessem tanto interesse assim em educação, ou em política, ou em ciência, mas ninguém pode se dar o luxo de ficar à margem desses assuntos. Não como jornalista. É preciso ampliar o cardápio.

Nesse sentido, a experiência nas redações do Estadão tem sido reveladora. No bate-papo informal com os jornalistas da casa, vários deles têm relatado histórias parecidas: que não sabiam bem o que queriam, ou até sabiam, mas a vida os levou para outra direção. Em Economia, por exemplo, mais de uma pessoa com quem conversei não tinha um interesse prévio no assunto. Simplesmente rolou. O acaso fez sua parte, e hoje elas dizem que não fariam outra coisa. Quem baixa a
guarda e dá uma chance pode ter uma surpresa, e encontrar realização profissional onde nem imaginava.

Thiago Lasco de Magalhães, de 33 anos, é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero