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Ângela Bastos e Beatriz Jucá: os recursos da internet para grandes reportagens

Carla Miranda

22 Outubro 2015 | 19h12

Beatriz Jucá e Ângela Bastos - Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Beatriz Jucá e Ângela Bastos – Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Por Júlia Corrêa e Luciana Amaral

Ao decorrer da história do jornalismo, as grandes reportagens tiveram
destaque no meio impresso. Algumas delas inclusive viraram obras
importantes da literatura brasileira, como os relatos da Guerra de
Canudos feitos por Euclides da Cunha, publicados no Estadão em 1987, e
transformados no livro Os Sertões.

Com a chegada da internet, essa forma de narrativa ganhou novas
possibilidades. É o que afirmam as jornalistas Ângela Bastos, do
Diário Catarinense, e Beatriz Jucá, do Diário do Nordeste. Elas são as
responsáveis pelas grandes reportagens “As quatro estações de Iracema
e Dirceu” e “O Quinze”, respectivamente, ambas com repercussão
nacional pela qualidade dos textos e da utilização multiplataforma do
conteúdo.

Ângela começou na profissão quando somente o texto para o jornal
impresso era exigido dos repórteres, porém, viu a web se tornar um
meio imprescindível para o jornalismo. “Me deparei que não podia mais
fazer só o texto. Hoje não consigo me conceber só pensando nele. É a
premissa para todo jovem repórter.”

Para Beatriz, esse processo de transição fez com que o online fosse
“vilanizado” por alguns. Contudo, ela acredita que a internet oferece
cada vez mais recursos para o jornalista tirar proveito. No caso da
reportagem de “O Quinze”, finalista do Prêmio Esso de 2015, ela
ressalta que o mini documentário publicado online sobre a seca do
Nordeste permitiu que o público compreendesse de forma mais
consistente a situação da população local.

A repórter de Santa Catarina lembra que, apesar das múltiplas
ferramentas existentes, é preciso, em primeiro lugar, ter uma boa
história para contar. “Não adianta ter só imagem bonita. Tem que ter
conteúdo, e do bom. Quando elaborei a pauta, já pensei que deveria ser
multimídia. Vislumbrei para a internet e pensando para a televisão
também.”

É a existência de uma boa narrativa que costuma convencer os jornais a
investirem em um material sofisticado distribuído em diversas
plataformas, considera Beatriz. Na opinião de Ângela, uma grande
reportagem adaptada aos novos meios não apenas gera mais audiência
como ainda atrai leitores qualificados e que se envolvem com a
matéria. “Não é uma leitura fácil. Leva pelo menos uma hora para ver
tudo com calma.”