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Bastidores: ‘Entre fantasmas e divas’

Redação

28 de dezembro de 2010 | 19h41

Muito antes dos trilhos do Metrô, a cidade de São Paulo já possuía caminhos por baixo da terra. A curiosidade de encontrá-los foi o que motivou a matéria Entre fantasmas e divas, publicada no nosso suplemento de fim de curso que saiu no dia 11. A ideia era mostrar a história da cidade que permanecia escondida sob suas ruas e avenidas.

Entretanto, encontrar esses caminhos não foi tarefa fácil. Pesquisas acadêmicas voltadas para os túneis subterrâneos históricos são inexistentes e, mesmo entre arqueólogos e historiadores, não conseguimos informações objetivas. Surgiram diversas pistas desencontradas após algumas ligações telefônicas e leituras de blogs sobre curiosidades de São Paulo.

Buscando a confirmação das pistas, como em um trabalho de detetive, fui para a rua fazer a apuração. Visitei o caminho sob o quartel das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e ouvi histórias sobre o passado do local. Mas faltaram as informações dos locais por onde o túnel passava, dados que se perderam no tempo.

Também conheci o caminho subterrâneo do Hospital das Clínicas e conversei com dois personagens encantadores. O atendente de enfermagem Sebastião Donizetti caminhou comigo pelo túnel falando pelos cotovelos. Disse que gostava de deixar as pessoas bem à vontade para não sentirem medo, afinal o local é usado para o transporte de mortos e rende histórias sobre assombrações. Depois eu me encontrei com o coordenador de engenharia de manutenção do HC, Manuel Fabiano. O senhor de 82 anos havia passado o fim de semana anotando diversas histórias em uma folha de papel, para poder me ajudar da melhor forma. Só as histórias de Fabiano já davam uma matéria, mas eu ainda não tinha achado o foco.

Nas ruas do centro, procurei os túneis subterrâneos que fariam a ligação entre os prédios religiosos. Mas a história não passava de lenda, como me contaram os responsáveis por algumas igrejas e pelo Mosteiro de São Bento. No Teatro Municipal, mais curiosidades que não possuíam confirmação.

Após colocar toda a apuração no papel, pude perceber qual era o elo entre as histórias. Cada uma delas possuía uma lenda diferente, ou um trecho da história que permanece em branco, por não ter sido preservado. Ao decidir procurar os túneis subterrâneos do passado, que um dia foram construídos para despistar quem caminha sobre a terra, eu não contava que depois de tantos anos eles pudessem continuar cumprindo seu objetivo: esconder-se dos nossos olhos.

Daniela Schmid, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

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