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Bastidores: ‘Petrobrás vai reordenar dutos em SP’

Redação

24 de dezembro de 2010 | 13h13

“Tenho uma boa e uma má notícia para vocês.” Foi o que nos disse Carla Miranda, editora do nosso suplemento, após reunião com o editor-chefe do Estadão, Roberto Gazzi, sobre o tema do especial que saiu no dia 11.

A boa notícia era que Gazzi tinha gostado da ideia de falar sobre os subterrâneos da cidade. A má era que, de alguma maneira, teríamos de relacioná-la ao petróleo do pré-sal. De fato, o assunto mais em voga sobre o que há sob a terra hoje em dia é o petróleo. A dificuldade seria relacioná-lo ao que há embaixo da cidade de São Paulo.

Ao receber a notícia, comecei a pensar sobre o petróleo. Assunto não faltava, faltava somente a conexão. Resolvi encarar a pauta.

Sabia da existência de um grupo formado em 2008 pelo governo estadual para analisar os impactos do petróleo em São Paulo. O grupo chama-se Comissão Especial para o Petróleo e Gás de São Paulo (Cespeg). Fui atrás deles. A data que iniciamos o suplemento coincidiu com a publicação do primeiro relatório da Cespeg sobre as potencialidades e dificuldades de São Paulo relacionadas ao assunto. Li o material e enumerei algumas ideias que poderiam render pautas: efeitos na economia, geração de empregos, investimentos e infraestrutura, entre outros.

Continuei pesquisando e conversando com repórteres do Grupo Estado que trabalham com o tema em busca de alguma pauta ainda inexplorada. Foram ao todo 15 entrevistas com especialistas no setor para a matéria.

A ideia final chegou numa manhã em que conversava com Carla sobre o andamento da pesquisa. Tínhamos alguma informação sobre o Plano Diretor de Dutos (PDD) da Petrobrás, que visa a modernizar a rede dutoviária e tirá-la de dentro das cidades por questão de segurança. Apesar de não apostar muito no tema, resolvi ir atrás. E foi o que de fato nos deu o lide da matéria.

Depois de anos correndo atrás de licenças ambientais, o projeto finalmente terá início no começo de 2011. Estas foram informações que consegui com a Petrobrás. O melhor de tudo é que eram novas.

Pesquisei assuntos relacionados ao tema. Encontrei algo em torno de 30 matérias sobre PDD e, enfim, a ideia tomou corpo. Um dos fatos que melhor se adaptou à matéria foi o de que dutos da Petrobrás ameaçaram temporariamente a construção do futuro estádio do Corinthians, em agosto. Ao pesquisar, cheguei à informação de que esse duto será desativado no PDD. Aí estava a matéria: a notícia do início do plano, algumas consequências das mudanças, um pouco de análise e um fato emblemático, como o do estádio. Faltava apenas a voz de um especialista que ajudasse a ver um outro lado além da “modernização”.

Voltei às entrevistas com acadêmicos. Uma opinião que foi consenso nas cinco entrevistas que fiz sobre o PDD foi de ser necessário mudar a malha por causa de uma irresponsabilidade no passado por parte do governo do Estado, que permitiu que fossem feitas construções na superfície dos dutos. E assim organizei a matéria. O fato, as consequências, o porquê demonstrado a partir de um caso emblemático e um outro lado, aquele da “verdade por trás da verdade aparente”, como diria Cláudio Abramo, ou seja, o propósito do PDD não é somente modernizar, mas também corrigir erros.

Eis que, depois de descascado, o abacaxi mostrou-se doce. A matéria deu trabalho mas foi prazerosa. Terminei um pouco antes do prazo, o que me deu a oportunidade de acompanhar o processo de montagem do caderno junto aos outros focas.



Guilherme Waltenberg, de 25 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp)

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