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Bastidores: ‘R$ 62 milhões esquecidos na Paulista’

Redação

30 de dezembro de 2010 | 10h56

Mais difícil do que apurar uma pauta obscura e inovadora – daquelas que a gente nem sabe quem procurar primeiro – é escrever sobre um assunto já publicado inúmeras vezes. Esse foi nosso primeiro desafio quando escolhemos o tema das galerias abandonadas embaixo da Avenida Paulista para o suplemento publicado no dia 11. Não dava para deixar de abordar um problema dessa importância em um caderno sobre o subterrâneo de São Paulo. Mas o que trazer de diferente para o leitor?

O preço absurdo dos estacionamentos na região nos trouxe a resposta. A Paulista é um dos endereços mais caros da cidade, e a falta de espaço o torna ainda mais valorizado. Então, quanto valeriam as tais 22 galerias caso fossem postas em uso? Para fazer uma estimativa, cruzamos o preço do metro quadrado de cada trecho da avenida – fornecido por uma consultoria imobiliária – com as áreas de cada uma delas, calculadas com base em uma planta da Emurb. Chegamos à cifra de R$ 62 milhões. Pronto. A pauta começava a ganhar rosto. Agora precisávamos descobrir por que ninguém, em 37 anos, se apropriou de áreas tão valiosas.

Batendo de porta em porta, descobrimos que os espaços – resultado de desapropriações feitas na década de 1970 – pertencem à Prefeitura e que a sociedade civil já propôs discussões sobre o assunto que nunca foram concluídas. Entrevistamos urbanistas, ONGs, empresários que têm negócios na Paulista e a diretora da SP Urbanismo para entender os interesses envolvidos no suposto negócio. Descobrimos um grande abacaxi.

Segundo consta, as galerias estavam bastante deterioradas e só com um bom investimento estariam aptas a serem ocupadas. Para alguns entrevistados, existem meios de tirá-las do abandono; para outros, seria uma grande perda de tempo e de dinheiro. A assessoria de imprensa da Prefeitura (principal personagem de uma eventual solução) não quis falar sobre o assunto. Aí estava nossa matéria: a falta de consenso e de empenho para dar algum destino a valiosos 13 mil metros quadrados de patrimônio público.

Só nos faltava descer em uma das galerias para constatar com nossos próprios olhos as condições em que se encontrava e, claro, fotografá-la. Mais uma vez, houve resistência na Prefeitura em nos atender. Precisávamos de uma autorização para entrar com o Corpo de Bombeiros. Mas qual seria o departamento responsável por essa permissão? Ninguém soube responder. Depois de quase um mês de um jogo de empurra, ganhamos apoio de brigadistas particulares e descemos na galeria que fica em frente ao Conjunto Nacional – exatamente no último dia que nos restava de apuração. Abandono confirmado. Fotos lindas. Ganhamos a capa do caderno!

Érica Saboya, de 24 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na PUC-SP

Felipe Tau, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero

Flávia Maia, de 23 anos, é formada Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

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