As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Bastidores: ‘Região depende de poços de água clandestinos’

Redação

16 de dezembro de 2010 | 15h43

Em nossa reportagem para o suplemento publicado no dia 11, nos vimos diante de uma situação que deve se tornar constante a partir de agora: mudança de planos. No nosso caso, total.

A princípio, falaríamos sobre a importância – que descobrimos ser nula – do Aquífero Guarani para o abastecimento da Grande São Paulo. Acabamos tratando da dependência da região metropolitana de poços de água – 35% deles, clandestinos.

Começamos nossa apuração nos arquivos do Estadão, pautados pelas riquezas subterrâneas de São Paulo. Em uma matéria sobre a crise de abastecimento de água da área metropolitana, o Aquífero Guarani – reservatório que passa por sete Estados do Brasil, além de Argentina, Uruguai e Paraguai – aparecia como uma das soluções, no pé da matéria. Pensamos: “Podemos inverter a pirâmide! (ou seja, a ordem da notícia)”

Tínhamos nossa pauta: a importância do Aquífero Guarani para o abastecimento de São Paulo. Entretanto, conforme mais fontes eram ouvidas, mais o assunto perdia força. Insistimos. De tanto correr em círculos, concluímos o óbvio: o reservatório, apesar de sua importância estratégica, não possui ligação alguma com a capital e seus arredores, foco do nosso caderno.

Voltamos ao ponto de partida. Em uma das entrevistas, ainda sobre o aquífero, o professor da USP Ricardo Hirata falou sobre sua preocupação com poços clandestinos. O assunto nos interessou e fomos apurar. Repetimos, então, nossa vasculha no arquivo do jornal. Conversamos com outras fontes: Gerôncio Rocha, geólogo da Coordenadoria de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, membros da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), responsável pela fiscalização das perfurações de São Paulo.

Ouvimos todas as partes potencialmente envolvidas na questão e obtivemos um panorama preocupante: ao mesmo tempo em que são fundamentais para o abastecimento da Grande São Paulo, os poços clandestinos causam sérios riscos ambientais e de saúde pública para a região. Além disso, mesmo os poços legais, imprescindíveis para a metrópole, podem provocar o desmoronamento do sistema hídrico da região se usados descontroladamente. Um problema mais próximo do que o leitor pode suspeitar.

Aquífero Guarani

Mesmo tendo adotado o problema dos poços clandestinos como pauta principal, seguimos pesquisando a respeito do Aquífero Guarani – até por ser a reserva de água subterrânea mais famosa do Brasil. Voltamos nosso foco para a cidade de Ribeirão Preto, cujo abastecimento provém todo do reservatório. Ao fim do processo de apuração, que envolveu entrevistas com especialistas como Luiz Amore, coordenador do Projeto Aquífero Guarani, e com o Daee e o Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), escrevemos um box mostrando a questão da superexploração do reservatório na cidade.

Gustavo Antonio, de 22 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero

Gustavo Ferreira, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

Tudo o que sabemos sobre:

Gustavo AntonioGustavo Ferreira

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: