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Bastidores: ‘Sítio arqueológico encontrado em Pinheiros terá exibição permanente’

Redação

25 de dezembro de 2010 | 18h07

Um termo relativamente comum em jornalismo é o da “matéria fria”, ou seja, um texto que não tem a obrigação de sair numa determinada data, porque não traz necessariamente um fato novo. Num jornal diário, por exemplo, esse tipo de texto tem espaço principalmente nos suplementos semanais. Esse foi o caso de boa parte das matérias do nosso caderno, e não era para ser diferente com o nosso texto sobre arqueologia.

De início, queríamos saber apenas o que escondem, ou melhor, o que contam do passado os sítios arqueológicos de São Paulo. Era para ser um “refresco” para o leitor dentro de um caderno carregado de dados. Já tínhamos entrevistado dois arqueólogos que nos haviam passado importantes panoramas dos sítios de São Paulo quando chegamos a Plácido Cali, responsável pelas pesquisas nas obras de revitalização do Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste. E dele surgiu a informação de que haveria um espaço permanente de conservação na nova praça que estava sendo construída na região.

Nessa hora, Carla Miranda, editora do caderno, apontou que esse poderia ser um bom caminho para a pauta, principalmente se conseguíssemos confirmar o ineditismo da informação. Tínhamos um possível “furo”. Nada que mudasse o mundo, mas ainda sim era um furo. Conversamos mais três vezes com Cali, para obter detalhes que estavam faltando, e com o arqueólogo responsável pela obra junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Rossano Lopes. Em todas as conversas, a mesma pergunta: “A exposição do sítio está realmente confirmada?”. Com a resposta positiva, ficamos mais seguros para escrever a matéria.

Contudo, não poderíamos falar apenas desta novidade sem dar algumas informações sobre em que pé estão os outros sítios arqueológicos paulistanos. Inicialmente, essas informações iriam para a infografia, junto com aquelas dezenas de dados que ficaram nas páginas 4 e 5 do caderno. E, para isso, recolhemos dados como o total de sítios de São Paulo, quais eram os principais, qual a profundidade, tamanho. Algo que acabou sendo mais complexo do que imaginávamos. E aqui cabe um agradecimento especial ao arqueólogo Paulo Zanettini, que infelizmente não entrou no texto final, mas colaborou e muito com essas informações.

Como é possível ver no trabalho final, a arqueologia de São Paulo não teve espaço na infografia e as informações acabaram entrando na própria matéria e em um box ao lado do texto, listando os principais sítios arqueológicos da cidade. Daí cabe uma dica àqueles que costumam deixar de lado as pesquisas para esses complementos visuais que não entrarão diretamente no texto: uma boa apuração desses dados pode enriquecer muito a matéria, além atrair a atenção do leitor.

Lendo e ouvindo nossos colegas, percebemos que não tivemos tanto trabalho quanto a maioria. A pauta ajudou bastante e também tivemos um pouco de sorte. Mas o que mais nos marcou foi a possibilidade de darmos uma informação inédita. Uma história nova para contar numa matéria que conta um pouco da história de São Paulo.



Rodrigo Rocha, de 24 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP)

Vanessa Corrêa, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)

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