“Biografia é o exercício da apuração exagerada”, diz biógrafo de Elis Regina
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“Biografia é o exercício da apuração exagerada”, diz biógrafo de Elis Regina

Carla Miranda

20 Outubro 2015 | 17h46

O repórter do Caderno 2, Julio Maria, fala a estudantes de jornalismo

O repórter do Caderno 2, Julio Maria, fala a estudantes de jornalismo. Foto: Guilherme Mendes

Por Igor Patrick

O repórter do Caderno 2 e autor da biografia “Elis Regina – Nada será como antes”, Júlio Maria, foi o primeiro a falar no segundo painel do dia: Reportagens em livrarias – Histórias além da matéria. O jornalista começou defendendo a produção de biografias dentro das faculdades, completando que o trabalho em torno da figura da cantora mudou sua percepção enquanto profissional. “Diria que sou outro. Foi um trabalho de exaustão. Biografia no fim das contas é isso, exercer as ferramentas de apuração à extremidade”, constatou o jornalista que fez 135 entrevista – 130 delas presenciais – para terminar o texto.

O resultado foi um livro com informações inéditas até para os filhos, que, mesmo com trechos bastante ácidos sobre Elis, não se opuseram à publicação.  Conhecedor da obra, Júlio disse que não precisou separar a relação de admiração sobre a figura de Elis Regina e seu trabalho como jornalista, já que não era profundo conhecedor da obra da artista. “Claro que ser fã ajuda em alguns pontos, mas não pode se deixar contaminar pela admiração, tem que separar as coisas”, dizendo ainda que o trabalho o fez se apaixonar pela mulher que Elis era.

O repórter também recomendou que os estudantes interessados no gênero invistam nos detalhes. “É realmente ir atrás da placa do táxi, da cor do vestido, do que as pessoas gostavam na época”, disse completando ainda que é necessário saber filtrar o texto e evitar excessos. “É preciso deixar o texto fluir, não ter crise de estrelismos e tentar se provar como apurador brilhante”.