Caminhos e possibilidades do jornalismo multimídia
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Caminhos e possibilidades do jornalismo multimídia

Carla Miranda

24 Outubro 2014 | 21h34

Por Raul Galhardi

Reportagens multimídias e a utilização de “games” como ferramenta jornalística. Esses foram os temas que permearam o bloco “Das grande reportagens aos newsgames” no quarto e último dia da Semana Estado de Jornalismo. “A internet é espaço propício para experimentação”, defendeu o repórter especial do Estadão Ricardo Brandt.

O jornalista, autor da reportagem “Crack, a invasão da droga nos rincões do sossego”, disse que essa matéria já nasceu sendo pensada para a internet, como iniciativa do Portal Estadão. “A reportagem se tornou um verdadeiro documento de estudo do tema, um ‘webdoc’. Não é uma pauta nova e justamente devido a isso a ideia era que fosse uma reportagem completa, aprofundada”.
A reportagem, que ganhou o 1º Prêmio de Jornalismo da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)  na Categoria Online, retrata o avanço do consumo da droga pelo interior de São Paulo, seus efeitos nas áreas de saúde, segurança e emprego e a falta de estrutura para o enfrentamento do problema. A reportagem visitou 13 cidades, percorrendo 6,6 mil quilômetros e entrevistou 78 fontes.
Brandt também destacou três pontos importantes da reportagem. O primeiro é a integração entre online e impreso como plataformas complementares. O fato de a internet não se submeter às limitações do papel, aceitando textos curtos e longos, infográficos, bem como recursos multimídia (vídeos e áudios), foi o segundo ponto destacado. Por fim, a internet não elimina a imersão em campo e é “simpática a testes e experiências”, afirmou o jornalista.
Newsgames

“Meus pais, que eram professores, criaram duas regras para mim: não jogar muito videogame e não trabalhar com ensino. Hoje eu estou aqui dando aula sobre games”, disse, em tom descontraído, Fred Di Giacomo, editor do núcleo jovem digital da Editora Abril. O jornalista, que nunca imaginou que trabalharia com “newsgames” (jogos informativos jornalísticos), iniciou sua carreira no Curso Abril de Jornalismo elaborando um site para revista Capricho.
Segundo Giacomo, “o poder dos jogos é o poder de simulação”. Porém, não é qualquer tema que possibilita a utilização da ferramenta. “Antes de criar um jogo, eu penso: ‘por que fazer um jogo? O poder de simulação e interação vão acrescentar informações à narrativa?’”.
Os “newsgames” surgiram no mundo em 2001 e tiveram início no Brasil em 2007. Atualmente, de acordo com o jornalista, o mercado de “games” é a maior indústria de entretenimento do mundo, movimentando cerca de US$ 60 bilhões por ano contra US$ 35 milhões da indústria cinematográfica. “Os jogos não são voltados apenas para crianças, como a maioria das pessoas pensam. Seu público majoritario é de ‘jovens adultos’, por volta dos 30 anos”, afirmou.
Um “game” de sucesso criado por ele e sua equipe foi o “Filosofighters”, jogo de luta que coloca filósofos históricos para lutar numa arena. O projeto foi criado com intuito educativo e teve repercussão mundial,  contando com 9 perfis de filósofos no Twitter; 1 tumblr com máximas filosóficas; 1 vídeo no YouTube e 1 jogo com mais de 150 mil acessos no mês de lançamento. Cada plataforma apresentou conteúdos independentes.