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Caminhos

Redação

30 Outubro 2011 | 22h00

Entramos em uma discussão dessas mais infinitas nestes últimos dias: qual o papel do jornal impresso? Difícil cravar se é solução, ou erro, querer ser cada vez mais como aquela que não precisa de papel, a internet. Mais rápido, mais fácil, mais visual, melhor? Mais denso, mais extenso, mais analítico, errado? Esses dias escutei: “Mas quem somos para poder dar dicas de jornalismo?”. Boa pergunta. Eu sou jornalista, recém-formado, com diploma (que não acho que tem que ser obrigatório) e, mesmo com pouca experiência, acredito que a única maneira de desenvolver um bom trabalho é conseguir pensar a frente e imaginar onde aquilo que você faz vai dar. O que não significa ser “pacote pronto”, já saber tudo. Significa ter opinião, sem deixar de estar aberto a mudá-la diante de bons argumentos. Não dá para esperar a sabedoria bater à porta.

Na minha opinião, que não é a do blog, o futuro do impresso está no jornalismo interpretativo. As redações da rádio, tevê, jornal e online recebem o aviso bombástico da notícia praticamente ao mesmo tempo. Enquanto o jornal continuar se perguntando “O que? Quando? Onde? Como? Por quê?”, vai enfrentar três imensos concorrentes. O “quente” já terá sido narrado, apresentado e lido pelo seu leitor, que continuaremos crendo que só lê jornal. E se, quando o fato aparecer na redação, o jornal se perguntar, por exemplo, “no que isso vai dar?”

O hard continuará a existir, em menor espaço, como contexto, e vai ser responsabilidade daqueles que, agora, vão ser seus três grandes parceiros. Nesse cenário, as grandes empresas de mídia levam uma vantagem que, para mim, desperdiçam. Hoje, quantos jornalistas que saem para cobrir uma pauta sabem quem é o colega que vai fazer a matéria para o rádio, o que vai fazer a matéria para a tevê e o que vai fazer a matéria para o online? Há integração nos trabalhos? Ou é apenas colaboração eventual? Enquanto cada mídia trabalhar de forma independente e fizer as mesmas perguntas, vai conseguir respostas idênticas, publicadas em horários desiguais: o “déjà li”.

Thiago Santaella, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)