Cobertura política para além dos políticos
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Cobertura política para além dos políticos

Repórter do 'Estado' em Brasília, Breno Pires fala sobre múltiplas facetas da cobertura para a editoria

Redação

25 Setembro 2018 | 20h39

Por Renato Vasconcelos

A cobertura de política está sempre associada ao acompanhamento do dia a dia no Planalto e no Congresso Nacional. Os corredores do poder, no entanto, nem sempre são o ambiente mais fértil para isso. A opinião é do jornalista Breno Pires, repórter do Estado em Brasília, e setorista de Poder Judiciário. Acostumado com a cobertura especializada, Pires enxerga a possibilidade de uma cobertura política que transcende a cobertura dos políticos.

“Política é o caminho pelo qual o País busca resolver seus problemas e atingir o desenvolvimento. É importante entender bem a realidade em que está o Brasil para lançar debates sobre temas específicos que precisam ser desenvolvidos. Podemos tocar em questões e dar repercussão a temas que não necessariamente estão em pauta nas casas legislativas ou no Executivo”, afirmou o repórter.

Repórter que revelou a lista de Fachin, Breno Pires, foi uma das atrações da Semana Estado de Jornalismo

Apesar da opinião, Breno não desmerece a cobertura tradicional. Durante a Semana Estado de Jornalismo, o repórter apresentou-se durante o painel “Bastidores da Reportagem”, destacando a cobertura que o levou a publicar a lista de Fachin. Na cobertura dos poderes, no entanto, pondera sobre a responsabilidade de buscar temas que estão ocultos. Não apenas o que se legisla, mas o que ocorre dentro do Legislativo e executivo como órgão de administração pública. “A fiscalização sobre os órgãos públicos é algo que o repórter de política tem que priorizar”, opina.

Para os jovens jornalistas, o repórter elencou alguns aspectos importantes para criar credibilidade. Segundo Breno, é indispensável ter um texto claro, manter um processo de checagem bem definido – checando com mais de uma fonte ou apresentando documentos, quando possível – e apresentando temas relevantes.

“As fontes vão te reconhecer melhor pelo seu trabalho. Para quem é novo, quem está começando, se você mostrar rigor, clareza e for honesto, você vai ser respeitado. Mas é coisa que se constrói, não vai acontecer de repente”, concluiu.