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Contra os estereótipos

Redação

08 Setembro 2011 | 11h10

Feriado de Sete de Setembro. Uma quarta-feira ensolarada, agradável e sem chuvas em São Paulo, contrariando todas as previsões do tempo. Lindo dia para passear no Parque do Ibirapuera, certo? Melhor dizendo… Lindo dia para trabalhar no Parque do Ibirapuera, não? Foi ali que corremos atrás da nossa segunda pauta. O desafio: fazer o retrato de um personagem que estivesse no parque durante o feriado, fosse ele trabalhador ou frequentador do local.

Munida de protetor solar (sim, Cecília, segui o seu conselho), saí de casa disposta a encontrar o personagem perfeito. Mas foi só chegando ao parque que percebi como os meus olhos estavam viciados. Eu buscava o pintor de retratos, o músico, o tatuador de henna, o homem-estátua, o grafiteiro, a senhorinha meditando, o vendedor de água de coco, o guarda, o skatista, o punk, o velhinho corredor… minha cabeça estava recheada de estereótipos.

Era como se, só de olhar para a pessoa, eu magicamente já soubesse como era a vida dela e simplesmente descartasse o que eu achava que seria uma história de vida comum.  Em cinco minutos já tinha cometido dois pecados capitais sobre os quais Chico Ornellas tinha nos alertado logo no primeiro dia: preconceito e dedução.

Ingênua, achei que iria topar com um ou outro amigo foca enquanto estivesse lá, para dividir as minhas angústias, já que vira e mexe a gente se esbarrava nas andanças pelo centro da cidade no último sábado. Esqueci que em São Paulo não tem praia. Com aquele mar de gente, ficou difícil encontrar qualquer rosto familiar.

Felizmente, lembrei-me a tempo dessa máxima tão simples: para falar sobre qualquer assunto, é preciso perguntar. E para falar sobre qualquer pessoa, é preciso conversar. E muito. Acho que neste feriado fiz vários novos amigos.

Heloisa Aruth Sturm, de 29 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)