Criador do AntiCast afirma que podcasts têm futuro promissor no País
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Criador do AntiCast afirma que podcasts têm futuro promissor no País

Carla Miranda

20 Outubro 2015 | 22h47

Ivan Mizanzuk AntiCast Podcast Projeto Humanos

O professor universitário Ivan Mizanzuk esclarece a diferença entre os podcasts AntiCast e Projeto Humanos (foto:Della Rocca/Santander)

Por Gabriela Caesar

 

O professor universitário Ivan Mizanzuk afirma que a cultura de ouvir podcast ainda vai vingar no País, seguindo a tendência que já conquistou ouvintes pelos Estados Unidos. Ele destaca que os episódios do Serial, podcasts americanos dos mesmos criadores de This American Life, foram um marco no meio de áudio e quebraram recorde de downloads. Mizanzuk foi o segundo palestrante do primeiro dia da edição de 2015 da Semana Estado de Jornalismo, que reuniu mais de 200 estudantes no auditório da redação do jornal.

Por aqui, há cinco anos, Mizanzuk comanda o AntiCast, “uma conversa informal sobre o que dá na telha”. Embora naquela época o negócio não fosse rentável, o professor universitário admite que, no momento, o AntiCast dá pouco menos de 1.800 dólares por mês, ou seja, quase R$ 7 mil. Esse dinheiro vem principalmente de aproximadamente 650 patrões, registrados no site de financiamento de produção independente Patreon. De acordo com o valor dos pagamentos desses patrões, Mizanzuk e colegas do AntiCast, Rafael Ancara e Marcos Beccani, oferecem consultoria acadêmica por Skype, envio de livros autografados, participação no AntiCast, entre outros. “Se eu não fosse professor universitário, daria para sobreviver, mas não poderia ter esse estilo de vida”, ressalva.

Designer de formação, Mizanzuk afirma que a internet possibilita outras formas de financiamento além da publicidade. Para ele, porém, o modelo de negócio não pode interferir no conteúdo produzido. “Não aceito perder a liberdade, deixar de falar sobre questões políticas, palavrões”, disse. Por isso, ele insistiu no mesmo sistema para lançar, em agosto, o Projeto Humanos, podcasts que abordam questões maiores, como o Holocausto, por meio de um personagem central. O diretor do Museu do Holocausto de Curitica, Carlos Reiss, reconhece, em entrevista no primeiro episódio do Projeto Humanos, a importância em trabalhar a memória e contar a história das pessoas por trás de itens expostos a visitantes.

“O mais importante não é chocar mostrando uma pilha de sapatos (de vítimas do Holocausto), mas, a partir de um sapato, a gente questionar de quem era aquele sapato, o que aconteceu com a dona daquele sapato, o que nós, humanidade, perdemos sem a dona daquele sapato aqui”, defende Reiss.

Nos primeiros episódios, conta Mizanzuk, ele procurou mostrar a complexidade da personagem Lili Jaffe, iugoslava judia que escreveu um diário, publicado com o nome “O que os cegos estão sonhando?” (Editora 34, 2012, R$ 34,90), sobre as lembranças do tempo encarcerada no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Cada episódio teve cerca de 10 mil downloads. A narrativa adotada nesses podcasts procura envolver o ouvinte na história e, ao mesmo tempo, emocionar com os áudios dos entrevistados.

Segundo Mizanzuk, o Nerdcast, líder em audiência no segmento no País, popularizou os podcasts, “fazendo sucesso a ponto de todo mundo querer fazer o Nerdcast”. Para ele, é preciso experimentar novos formatos. Ele acrescenta que os podcasts também devem ter periodicidade, criar empatia com os ouvintes e trazer pessoas bem informadas. Fã de podcast desde 2007, Mizanzuk recomenda os trabalhos dos brasileiros Caixa de Histórias, Mamilos e Xadrez Verbal. De fora, ele costuma ouvir os podcasts RadioLab (seu preferido), This American Life, The Moth, entre outros. Para quem deseja começar a criar podcast, Mizanzuk aconselha a “parar de planejar e fazer” e buscar tutoriais nos sites Rádiofobia e Mundo Podcast, além de, claro, respeitar a periodicidade.