Da televisão à internet: potencialidades do audiovisual são tema de debate
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Da televisão à internet: potencialidades do audiovisual são tema de debate

Carla Miranda

23 Outubro 2015 | 18h08

 

Por Priscila Mengue

“O jornalismo é o mesmo, só mudou o jeito de fazer”. O repórter Fábio Pannunzio (TV Bandeirantes) iniciou o último dia da Semana Estado de Jornalismo discutindo as mudanças ocorridas no telejornalismo nas últimas décadas. Ainda no primeiro bloco, Thiago Firbida apresentou o trabalho da Artigo 19, organização civil que defende políticas de proteção à liberdade de imprensa.

Repórter da TV Bandeirantes, Fábio Panuzzi falou sobre a influência das tecnologias móveis na imprensa Foto: Priscila Mengue

Repórter da TV Bandeirantes, Fábio Panuzzi falou sobre a influência das tecnologias móveis na imprensa Foto: Priscila Mengue

Com 35 anos de carreira, Pannunzio considera que as novas tecnologias mudaram a forma de realizar o telejornalismo, não só proporcionando uma redução nas equipes e maior polivalência dos jornalistas, mas, também, por serem uma forma de dar espaço a mídias alternativas. Em casos como as manifestações de junho de 2013, por exemplo, a mudança tecnológica propiciou que mídia alternativas alcançassem  espaços não abordados por alguns veículos tradicionais.

Segundo ele, daqui a alguns anos, ter concessões de televisão não significarão muita coisa, pois a internet está ganhando cada vez mais espaço como um suporte que comporta as mais diversas linguagens jornalísticas: “A internet já venceu o jogo, e cada dia que passa vai ser mais forte.” Por outro lado, Pannunzio defende que a formação do jornalista não pode se restringir apenas à tecnologia: “A sensibilidade é produto de uma experiência de uma vida inteira. O jornalista precisa gostar de ler, jornalista que não lê jornal é um absurdo”.

Já Firbida ressaltou como realizar como o audiovisual pode ser uma forma de humanizar e potencializar informações, que não teriam impacto em forma de release, por exemplo:  “Números, dados, tabelas, podem se transformar em pessoas de carne e osso, em rostos, em depoimentos, e isso faz muita diferença”. No caso da Artigo 19, por exemplo, foram lançados recentemente dois vídeos de 15 minutos com o tema Impunidade, que retratam histórias como as do fotógrafo Alexandro Wagner Oliveira da Silveira, que perdeu 75% da visão após ser atingido por um tiro de bala de borracha durante uma cobertura de uma manifestação ocorrida em São Paulo, em maio de 2000.

Thiago Firbida apresentou  trabalho da Artigo 19, que defende a liberdade de expressão

Thiago Firbida apresentou trabalho da Artigo 19, que defende a liberdade de expressão