Debate sobre mobilidade urbana, na Semana Estado, vai de Uber à ciclovia
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Debate sobre mobilidade urbana, na Semana Estado, vai de Uber à ciclovia

Carla Miranda

20 Outubro 2016 | 17h50

Fábio Leite e Daniel Guth falaram sobre mobilidade urbana

Fábio Leite e Daniel Guth falaram sobre mobilidade urbana

Por Paulo Palma Beraldo e Elisa Clavery

O segundo bloco de palestras nesta quinta-feira, 20, na 11ª Semana Estado de Jornalismo, teve a participação do jornalista Fábio Leite, do Estadão, e do consultor em políticas de mobilidade urbana e diretor do Ciclocidade, Daniel Guth. O tema da vez foi “Os caminhos da mobilidade urbana”.

Leite falou sobre a regulação de aplicativos de mobilidade, como o Uber. Para ele, houve ampliação da cobertura desse tema na imprensa nos últimos anos. “Antigamente, só se falava em transporte público de massa. Surgiram novas temáticas e isso ajuda a fomentar uma discussão importante para a cidade”, diz.

Mesmo na agenda política, Leite acredita que o tema tem sido tratado de maneira pouco aprofundada. “Lamento que a discussão sobre mobilidade urbana nos debates de 2016 tenha sido tão rasa”.

Já Guth diz que nos últimos três anos têm crescido o interesse sobre o tema mobilidade urbana, inclusive na área jornalística. A bicicleta, conforme Guth, tem uma relação de eficiência, enquanto o carro, de ineficiência. “O custo médio de um carro popular em São Paulo é de R$ 1.000 por mês e o do nosso congestionamento, de R$ 40 bilhões por ano, em perda de produtividade” explica Guth.

O especialista fez um apanhado histórico sobre a situação das bikes no Brasil. Elas passaram a se difundir no Brasil a partir dos anos 1950, quando os preços reduziram com a criação de indústrias nacionais, como a Monark e a Caloi, explicou ele. “Depois, surgiram lojas especializadas e a cultura da bicicleta foi ganhando espaço”.

O consultor lamenta, porém, o aumento contínuo da taxa de motorização dos últimos anos. Ele citou um estudo do Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP) que diz que 85% do investimento nacional em mobilidade foi feito para o transporte individual e motorizado. “Houve a migração da bicicleta para a motocicleta”, alerta Guth. Outro dado é de que apenas 1% das pessoas usam bicicleta para não prejudicar a camada de ozônio, enquanto a maioria o faz porque é um meio rápido e prático.

Em 1997, o Código do Trânsito Brasileiro reconheceu a bicicleta como um meio de transporte. “É extremamente inovador. Há uma hierarquização dos meios de transporte pela fragilidade deles”. Segundo ele, antes havia um sistema voltado para a lógica do desenvolvimento de rodovias, o que mudou completamente com o novo código.

Durante a rodada de perguntas, Guth criticou a proposta do prefeito recém-eleito de São Paulo, João Dória, de abrir as ciclovias para concessão privada. “Conceder ciclofaixa à iniciativa privada é conceder um pedaço da via pública. Esse é um pensamento equivocado”, afirma.