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Descrição, humildade e observação: o primeiro exercício

Redação

05 Setembro 2011 | 16h52

Depois de deixar para trás 1.501 candidatos que concorreram a uma vaga no curso, um exercício de texto de 20 linhas não seria capaz de abalar qualquer dos 30 focas sentados diante da recém-apresentada professora Carla Miranda. Assim pensava. “Descrevam o caminho de vocês, da portaria do Estadão até onde estão sentados. 20 minutos, 20 linhas.” Há cerca de duas horas eu havia feito o percurso que inclui o estacionamento do prédio, escadas com vista para um vitral e
corredor que dá acesso à sala dos focas.

Como era o piso? Qual era o tamanho do vitral? Havia um quadro no meio do caminho? Tentava lembrar, mas era inútil. Eu não havia observado o suficiente. Sentia escorrer a areia de uma ampulheta imaginária e as 20 linhas eram quase inalcançáveis.

Dezesseis sofridas linhas depois, Carla chegou e pediu para trocarmos de lugar com o colega ao lado. Quem reconhecesse um texto bom poderia levantar a mão ou ler em voz alta. Enquanto olhávamos as telas, ela ia fazendo comentários. “Dizer que o porteiro é simpático não é descrever o caminho.” Silêncio. Eu havia escrito que o porteiro era bem-humorado. Metade da sala também.

Todos os comentários me fizeram achar que quem estava lendo o meu texto não levantaria a mão. Acertei. Com tristeza e com alívio, vi que Antônio não leu nada do que escrevi em voz alta. O mesmo não aconteceu com o texto que eu lia, o dele. “Este é um dos poucos textos bons”, disse Carla. O resultado do exercício trouxe a lição: prestar mais atenção no que há em volta. O sufoco trouxe a lembrança da dica do Chico Ornellas: manter a humildade.

Beatriz Bulla, de 21 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero