Dinamismo da política e jornalismo de dados são temas no segundo dia de palestras
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Dinamismo da política e jornalismo de dados são temas no segundo dia de palestras

Carla Miranda

19 Outubro 2016 | 18h33

Por Ludimila Honorato

No segundo dia da Semana Estado de Jornalismo, o editor executivo do Estadão, Alberto Bombig, abriu a discussão falando das reviravoltas políticas do País. “O jornalismo surpreende a gente toda hora”, afirmou. Ele citou, como exemplo, a prisão do presidente cassado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), nesta quarta-feira, 19.

Alberto Bombig, editor executivo do Estadão

Alberto Bombig, editor executivo do Estadão

A mudança da abordagem dele em relação ao tema da palestra, que foi “bastidores de uma corrida eleitoral”, condiz com a dinâmica do jornalismo em política que, segundo Bombig, é intensa. Ele relembrou eventos marcantes que reverteram a cobertura jornalística, como a nomeação de Lula para ministro de Estado, em março deste ano, e o dia em que Eduardo Cunha aceitou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

O segundo palestrante do bloco foi Rodrigo Burgarelli, jornalista do Estadão Dados. Ele falou do diferencial dessa área, em que boas histórias são descobertas através de análise de dados disponíveis para toda a sociedade. No caso das eleições municipais, ele diz que o jornalismo de dados contribuiu com novas visões na cobertura. A equipe demonstrou, por exemplo, como as campanhas ficaram mais baratas e como não houve tanta doação de pessoas físicas como se imaginava, visto que o novo modelo proíbe financiamento de pessoas jurídicas.

Rodrigo Burgareli, do Estadão Dados

Rodrigo Burgareli, fala dos trabalhos desenvolvidos durante as eleições

Burgarelli citou as reportagens feitas a partir da divulgação diária da prestação de contas dos candidatos e como isso pode impactar na decisão dos eleitores. Segundo ele, o jornalismo de dados é “pequeno e combativo” e requer grande responsabilidade. “A gente é a própria fonte, temos que saber muito bem com o que estamos trabalhando”, diz

Alberto Bombig reforça a importância do jornalismo de dados. “Os dados são importantes para corroborar argumentos, e o jornalismo de dados aproxima nossa área de algo um pouco mais científico”, afirma. Burgarelli acrescenta que é uma atividade que abre outras possibilidades dentro do jornalismo. “O jornalismo de dados te dá um ferramental que a apuração tradicional não oferece”, diz.

No ano passado, Rodrigo Burgarelli, junto com os jornalistas Paulo Saldaña e José Roberto de Toledo, recebeu o Prêmio Esso pela reportagem Farra do Fies, que investigou os gastos do governo federal com o Financiamento Estudantil (Fies).