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Diretora do Ibope fala do cuidado com a interpretação de dados

Redação

24 Outubro 2013 | 16h09

Lorena Tabosa

Com o período de cobertura eleitoral se aproximando, os jornalistas precisam se preparar para interpretar de forma correta os dados de pesquisas de intenção de voto. Para a diretora executiva do Ibope Márcia Cavallari, a pesquisa diz muito mais que os números principais ou os nomes dos candidatos na liderança. O papel do repórter é fazer um cruzamento das informações, para uma análise mais aprofundada.

Márcia Cavallari, diretora executiva do IBOPE (Foto: Ana Pinho)

“Às vezes, o jornalista vem com uma tese pronta e quer apenas uma fala que comprove. Temos que ter um limite de interpretação”, explicou, durante a Semana Estado de Jornalismo. Funcionária do IBOPE desde 1982, Márcia começou no cargo de estatística, sua formação acadêmica. Ela conta que, na época, não existia o conceito de opinião pública brasileira e as pesquisas eram realizadas com amostragem apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Só em 1985 é que foram realizadas as primeiras pesquisas de âmbito nacional. “O grande dilema era definir qual seria o tamanho adequado da amostra”, comenta. A diretora foi responsável pelo desenho da amostra das pesquisas relacionadas à eleição presidencial de 1989, que teve Fernando Collor como vencedor. “Como não existia urna eletrônica, demorava 15 dias para finalizar o processo eleitoral. A pesquisa acabava antecipando os resultados e nós acertamos”, disse.