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Diretores fazem abertura oficial da Semana Estado de Jornalismo

Redação

22 Outubro 2013 | 17h28

Juliana Diógenes
Luísa Roig Martins

Gandour faz a abertura da Semana (Foto: Vanessa Vieira)

Está aberta a Semana Estado de Jornalismo, com o tema Por Dentro das Grandes Coberturas. As atividades foram oficialmente iniciadas hoje com o auditório do Estadão lotado de universitários de quase 50 faculdades de jornalismo do Brasil todo.

“Estamos de casa cheia. Parece uma final de campeonato. E normalmente toda final de campeonato é inesquecível”, disse Roberto Gazzi, diretor de Desenvolvimento Editorial do Estadão. Gazzi abriu o evento e deu boas-vindas ao público.

Na abertura, Marcelo Beraba, diretor da sucursal do Estadão no Rio de Janeiro, destacou que a essência de uma grande reportagem é a qualidade da apuração jornalística, por vezes negligenciada. “Se você não parte dessa base de boa apuração jornalística, dificilmente você vai ser um bom jornalista”.

O tripé jornalístico
O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, reforçou o argumento de Beraba e acrescentou que toda reportagem deve ser “pensada grande, por mais que a pauta seja limitada”. A aplicação do jornalista, segundo ele, será o fator determinante no processo de produção da reportagem.

Gandour explicou que o jornalismo está sustentado por um tripé: atitude jornalística, método e domínio da narrativa. O primeiro vértice – da atitude – relaciona-se com a curiosidade do repórter. “É olhar por trás, revelar o que não quer ser revelado. Tem a ver com humildade, saber ouvir, ouvir um pouco mais e observar”, disse.

Segunda perna do tripé, o método é o planejamento da pauta. Ou seja, saber escolher as fontes, fazer pesquisa prévia e analisar os assuntos que envolvem a pauta. Na preparação para a reportagem, o jornalista deve buscar compreender quem se prejudica, quem se beneficia, a quem interessa a divulgação do assunto, a quem não interessa e quais lógicas os assuntos envolvem.

Aliado ao método e à atitude, Gandour destacou a importância do último vértice do tripé, o domínio da narrativa, que passa pela transformação da apuração em um texto “saboroso”.

Para explicar o domínio da narrativa, o diretor de Conteúdo resgatou o cenário do jornalismo impresso na metade dos anos 1980, quando o texto passou a agregar a fotografia nas páginas dos jornais. No final da década, surgiu um elemento adicional da edição: a infografia. “Foi muito estudo. A gente gastou muita energia para chegar ao domínio da narrativa, à harmonia entre texto, foto e arte. Foi mais de uma década para chegar onde estamos hoje”, afirmou Gandour.

No processo de análise das novas possibilidades de narrativa da reportagem, segundo ele, foi priorizada a construção do bom texto, capaz de prender o leitor até o fim. Gandour questionou, no entanto, em que medida os jornalistas usam os recursos de interatividade multimídia “à toa, como fogos de artifício”, deixando de lado o objetivo final da reportagem, que é informar.

Para o diretor, um bom exemplo de uso das novas possibilidades de interatividade entre texto, imagem e arte no Estadão foi o especial sobre os 200 anos da chegada da Família Real. Resultado de três anos de apuração, o projeto foi a primeira experiência concebida para a plataforma digital no Grupo Estado, tendo o papel como subproduto.

Geração multimídia
Mesmo assim, Gandour afirmou que o jornalismo ainda utiliza de forma muito primitiva as novas possibilidades. “Estamos num momento de transição e a geração de vocês está com o bastão na mão. O objetivo agora é fazer com que as novas possibilidades digitais tornem o jornalismo ainda melhor. Façam as novas tecnologias estarem a serviço do jornalismo. O leitor vai reconhecer isso”.

No contexto das novas tecnologias, Gandour aconselhou ainda que os jovens jornalistas não embarquem no que chamou de “modismo da hora’: o uso despropositado e solto da arte – infografia e ilustração – sem relação com o texto.