‘É preciso controlar a ansiedade’, diz editor do Estadão sobre jornalismo esportivo de fôlego
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‘É preciso controlar a ansiedade’, diz editor do Estadão sobre jornalismo esportivo de fôlego

Carla Miranda

21 Outubro 2016 | 19h17

Robson Morelli, editor do caderno de esportes do Jornal Estado de São Paulo

Robson Morelli, editor do caderno de esportes do Jornal Estado de São Paulo

Por Samuel Quintela

Para Robson Morelli, editor do caderno de esportes do Jornal Estado de São Paulo, um dos desafios mais importantes para os jornalistas esportivos em formação é conseguir entender as diferenças entre histórias que podem gerar matérias mais longas, de fôlego, e outros tipos de notícias. Morelli foi dos palestrantes da Semana Estado de Jornalismo de 2016.

“Os jornalistas mais novos querem escrever páginas e páginas, mas é preciso que se entenda que você pode dar uma boa notícia em 20 linhas. É preciso que se saiba o que pode, e o que não pode, vir a ser uma matéria de jornalismo de fôlego. É preciso controlar a ansiedade e, claro, obter experiência, sempre aprendendo com aqueles com mais tempo de redação”, afirmou.

Produtor do SporTV, Breno Pires, que também palestrou na Semana Estado, destacou as relações de trabalho nas grandes redações e aproveitou para comentar a importância das matérias mais aprofundadas para os veículos de comunicação que trabalham com jornalismo esportivo.

“É preciso ter, nas redações que trabalham com internet, pessoas que atualizam as informações em tempo real, mas é preciso que se tenha também mais repórteres de fôlego, que trabalhem o jornalismo investigativo. A gente vê cada vez menos pessoas nas redações e isso atrapalha a produção, mas não podemos deixar o jornalismo de fôlego de lado”, disse.

O jornalista, ainda comentou as dificuldades para se investigar instituições esportivas privadas, como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que, por não serem obrigadas, não divulgam dados e informações de contratos. Tal postura, segundo Breno, afeta a cobertura de fatores que podem atrair o público, como competições nacionais ou a própria seleção brasileira de futebol.

“O fôlego no jornalismo é essencial para que a gente possa dar uma respirada, ele serve para encontrar essas histórias mais cabeludas e para provar aquilo que todo mundo sabe que acontece, mas que ninguém conseguiu provar ainda”, afirmou Breno.