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Epidemia

Redação

22 Novembro 2011 | 18h33

“As ideias têm poder de contágio”, destacou o biólogo francês Jacques Monod em 1964, sem saber que em 2011 sua teoria seria escandalosamente evidente.

Até 2007, eu não sabia o que era meme, tinha uma conta no Twitter que não usava, e gastava bem menos tempo com os vídeos do Youtube. Hoje, é quase impossível não me render os conteúdos que, mesmo com esforço contrário, invadem minha caixa de email, o mural do Facebook, a timeline do Twitter ou a dashboard do Tumblr.

A web é uma epidemia. Um fluxo viral de ideias. É bem verdade que na maior parte das vezes esses conteúdos são apenas entretenimento ou vislumbre estético. Mas, vez ou outra, aparece um vídeo que ajuda a eleger um presidente, um tweet que derruba um regime e um meme que leva milhares às ruas. “Nós somos os 99%”, viralizaram os jovens do Occupe Wall Street.

É sobre esta “geração memética” que os 30 focas decidiram escrever para a última atividade do curso. No sábado, dia 10 de dezembro, chegará às bancas o nosso caderno especial. Queremos saber como e pelo que os jovens levantam do sofá hoje. E o Facebook pareceu a melhor maneira de perguntar.

Foi aí que eu tive a ideia: se queremos falar sobre jovens que (como eu) vivem dentro desta tal “cultura do compartilhamento” e são extremamente suscetíveis às campanhas virais, porque não criar uma? Ideia ambiciosa, que talvez não viralize. Mas isso não impediu que seis focas madrugassem o fim de semana todo criando um vídeo que potencializasse nossa enquete. (VOTEM!)

Ontem, o vídeo foi ao ar (nos próximos dias teremos mais dois). E a euforia de ver o número de visualizações e respostas às enquetes subir rapidamente nos assustou um pouco. A satisfação foi maior. Não criaremos uma epidemia digital. Mas a ideia também não é esta. Queríamos testar se esta tal “mobilização 3.0” funciona mesmo, e nos preparar para as reportagens que estão por vir.

Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)