“Eu tive vontade de quebrar trem”, diz jornalista Claudia Belfort sobre vida na periferia
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“Eu tive vontade de quebrar trem”, diz jornalista Claudia Belfort sobre vida na periferia

Carla Miranda

20 Outubro 2016 | 19h41

Hoje jornalista da Ponte.org, Claudia já passou por diversas publicações brasileiras de jornalismo, dentre elas O Estado de S. Paulo.

Hoje jornalista da Ponte.org, Claudia já passou por diversas publicações brasileiras de jornalismo, dentre elas O Estado de S. Paulo.

Por Willy Delvalle

A jornalista do site Ponte.org, Claudia Belfort, contou nesta quinta-feira que já teve “vontade de quebrar trem” em São Paulo. Ela se refereà vida que levava quando resolveu vivenciar a experiência de morar na periferia. A região escolhida foi a do Grajaú, na capital paulista. A vivência, que ela queria que durasse um ano, durou seis meses. O “transporte horrível”, nas palavras dela, foi um dos motivos.

Tendo passado por diversas publicações brasileiras, dentre elas O Estado de S. Paulo, ela queria sentir como vivia a população na periferia. Na ida ou na volta do trabalho, “a opção quando você descia do trem, era pegar um ônibus cheio, muito cheio ou sem respirar”. Eles eram em grande quantidade, mas todos lotados, aponta. Ela conta que chegou a fotografar e postar nas redes sociais “a massa” tentando entrar no trem das seis horas da manhã no Grajaú. “Eles têm que estar aqui às sete horas pra fazer café para o branco, limpar banheiro, deixar tudo limpinho”, relata. Sua vantagem é que na época, quando trabalhava em uma produtora audiovisual, seu horário era mais flexível.

“O transporte da periferia não existe sem uma ação coordenada do governo do estado. E o sistema de trem e metrô está parado. Só ônibus não é suficiente”, critica. “Se a gente está todo dia lá pegando trem cheio, o governo sabe disso e não faz nada? Como você vai comunicar sua revolta?”, questiona.

Claudia afirma não concordar mais com a ideia de que violência gera violência. Como argumento, ela menciona o caso do adolescente de 16 anos assassinado por um policial. A jornalista explica que eles chamaram diversos veículos jornalísticos. “Mas ninguém vai”, relata. Ela cita que foi quando eles queimaram um ônibus, atraindo a atenção da mídia. “Um policial matar um adolescente de 16 anos não provoca tanta tensão quanto queimar um ônibus. Eu tenho vontade de chorar com isso”, confessa, emocionando-se.

O esgotamento causado pelos traslados lotados e demorados foi um dos principais fatores que a fizeram desistir de morar no local e mudar-se para o Higienópolis, área nobre de São Paulo. “Hoje, eu sou ‘esquerda caviar’”, brinca.

Ela contou a experiência de cobrir ‘direitos humanos’ em palestra a quase 500 estudantes de jornalismo de várias partes do Brasil nesta quinta-feira, na Semana Estado de Jornalismo.