‘Existem mais CEOs com o nome John que mulheres nessa profissão’, afirma Ana Addobbati
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‘Existem mais CEOs com o nome John que mulheres nessa profissão’, afirma Ana Addobbati

Jornalista e empreendedora comenta a importância da colocação de mulheres em posições de liderança na mídia

Redação

26 Setembro 2018 | 16h39

Por Pedro Alves

Mesmo com as conquistas alcançadas pelas mulheres nos últimos anos, a indústria de mídia ainda é um ambiente hostil para o gênero feminino. A opinião é da jornalista e empreendedora Ana Addobbati, diretora da aceleradora de negócios Chicas Poderosas e fundadora da startup Women Friendly, que tem o objetivo de combater o assédio sexual em empresas brasileiras. “No mundo, existem mais CEOs com nome John que mulheres nesses cargos”, afirma.

Addobbati foi uma das palestrantes na 12ª Semana Estado de Jornalismo, nesta quarta-feira (26/9), e conversou com os participantes sobre empreendedorismo feminino. Durante o debate, ela apresentou o trabalho da aceleradora de empresas Chicas Poderosas, que tem o objetivo de auxiliar mulheres a se inserirem no mercado da mídia digital independente. Para a jornalista, iniciativas como essa são capazes de mudar o cenário atual, no qual o gênero feminino ainda encontra dificuldades no trabalho.

¨Temos mulheres trabalhando na indústria de mídia mainstream hoje em dia. O problema é que, quando elas entram para esse funil, muitas vezes têm que se submeter a uma ordem já estabelecida, majoritariamente masculina, branca e heteronormativa. Um mundo que muitas vezes não consegue enxergar nossa nova realidade”, explica.

Diante desse cenário, Ana Addobbati argumenta que novos veículos independentes e liderados por mulheres podem garantir maior espaço para a inserção da visão feminina na mídia. “Nossa presença em lugares de liderança tem o objetivo de enfrentar dois problemas: primeiro, o de criar empresas mais produtivas, com mulheres que tomam decisões considerando a perspectiva feminina também; e segundo, lidar com questões como a redução da disparidade salarial e do assédio sexual”, diz.

Segundo a jornalista, o mundo do empreendedorismo ainda beneficia os homens e costuma colocar o trabalho feminino em segundo plano. Para Addobbati, no entanto, o esforço é necessário para uma mudança de cenário: “Ao criar esses ambientes de aceleração como a Chicas, a gente encontra a nossa tribo. Um ambiente saudável, protegido, onde não vamos ter vergonha de colocar nossas ideias e podemos nos preparar para sair e encontrar o leão, que ainda existe e é machista”.

Já quanto ao posicionamento desses veículos de mídia independentes em relação às grandes empresas, a jornalista afirma acreditar que o caminho do futuro é a coexistência. “Cada produto de mídia vai ter seu nicho, sua especialização, sua expectativa. Você não pode dizer que os grandes jornais não vão possuir grande patrimônio. Cada veículo tem uma forma de tratar informação pertinente ao seu público. Só que hoje, temos uma grande pluralidade de vozes e plataformas. É urgente que todos esses produtos coexistam”, explica.

Assédio sexual

Além do trabalho com a aceleradora, Ana Addobbati também atua contra o assédio sexual no mundo corporativo por meio da startup Women Friendly. O projeto pretende certificar empresas e estabelecimentos que estejam dispostos a seguir um protocolo de proteção contra esse tipo de situação.

A jornalista conta que, após dez anos de carreira e trabalhos em projetos em mais de 40 países, encontrou uma constante em todos os lugares pelos quais passou: o assédio sexual. Por isso, com o projeto, Addobbati pretende ajudar a criar ambientes de trabalho e lazer mais seguros para mulheres.

“Temos que ajudar essas empresas a tomarem uma atitude. Quando fui para o mercado, descobri que muitas vezes o bar ou restaurante quer proteger a mulher cliente, mas não sabe como porque tem medo de tomar uma atitude contra o cliente ofensor e sofrer consequências. Já as empresas evitam falar sobre o assunto porque é tabu. O importante para nós é ensiná-los como agir”.

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