Fábio Pannuzio fala sobre as mudanças no jornalismo em seus 35 anos de carreira
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Fábio Pannuzio fala sobre as mudanças no jornalismo em seus 35 anos de carreira

Carla Miranda

23 de outubro de 2015 | 15h22

Foto: Thiago Wagner

Foto: Thiago Wagner

Por Raphael Hernandes

Os avanços tecnológicos na área da comunicação influenciaram a prática jornalística. Se antigamente a informação era transmitida por telégrafos para as redações de jornais e, na televisão, as equipes eram formadas por um número maior de pessoas para operar o equipamento necessário, hoje, todo esse material pode ser substituído por um celular conectado à internet. O desafio para o jornalismo é se adaptar a essas ferramentas. É a análise feita pelo jornalista Fábio Pannunzio, da TV Bandeirantes , que complementa: “na essência o jornalismo continua a mesma coisa, mas mecanismos que temos hoje são espetaculares”.

Essa mudança nos meios, para Pannunzio, faz necessário um cuidado maior com a forma de transmissão do conteúdo. “Quando você muda o meio de fazer, você muda o resultado da mensagem”. Um exemplo seria o da televisão. “Há trinta anos, algumas emissoras proibiam a veiculação de imagens de coisas feias, como favelas e pobreza. Havia uma presunção de que o feio não agradava. Hoje isso não é mais possível.”

Pannunzio é jornalista desde 1981 e, em sua carreira, atuou em várias reportagens investigativas. Em 2012, venceu o Prêmio Esso de Telejornalismo, com a série de reportagens Desaparecidos, exibida pela TV Bandeirantes. Também investigou o empresário PC Farias e foi o primeiro repórter de TV brasileiro admitido numa campamento da FARC, na selva colombiana.

 

Investigativo

Perguntado sobre jornalismo investigativo, o repórter diz ter percebido uma diminuição do espaço desse gênero. “Por causa do custo. Antes as televisões investiam mais no jornalismo investigativo. Hoje, elas não investem mais porque a televisão virou uma grande linha de montagem.”

As dificuldades da investigação são sentidas com mais intensidade na televisão. “Tem lugares onde um repórter de TV não entra”, conta Pannunzio. A necessidade de equipamento e de equipe maiores, muitas vezes três pessoas: um repórter, um repórter cinematográfico e um auxiliar, também dificultam o processo.

Pannunzio criticou o uso de câmeras ocultas na TV. “Quando você vai fazer uma apuração, existem vários caminhos que podem ser seguidos. A ausência da identificação do repórter não é necessariamente uma ferramenta da produção jornalística. Aliás, a pessoa precisa ser identificada. Nesse sentido, a TV tem feito um uso muito ruim de câmera oculta”. Ele prefere a transparência. “Só usei câmera escondida duas vezes na minha carreira. Acho que é contra a ética. Uma das vezes que usei, foi com a autorização da pessoa que foi filmada, para mostrar um caso de prostituição. Na segunda vez, não cheguei a usar as imagens.”