Fact-checking e linguagem direta são fundamentais segundo jornalistas
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Fact-checking e linguagem direta são fundamentais segundo jornalistas

Editor geral da Vice Brasil e repórter especial do Estadão conversaram sobre os bastidores do jornalismo

Redação

25 de outubro de 2017 | 18h32

por Rodrigo Esteves Lima

O segundo dia da 12ª Semana Estado de Jornalismo seguiu animado com a presença de André Maleronka, editor geral da Vice Brasil e Pablo Pereira, repórter especial do Estadão. Em painel chamado “Os bastidores da notícia” André Maleronka apresentou um olhar diferente para as notícias e Pablo Pereira falou sobre a importância da preservação dos documentos de fontes. O painel contou ainda com entrevista em vídeo de Ernest Sotomayor, professor da Universidade de Columbia, falando sobre notícias fraudulentas.

De acordo com Maleronka, no ano que vem a Vice Brasil deve voltar a produzir seu tradicional zine gratuito. Ainda iniciando o percurso no Brasil, Maleronka criticou a timidez dos anunciantes brasileiros: “aqui a Vice é vista erroneamente como uma mídia muito perigosa”, disse o editor.

Maleronka, que já havia trabalhado nas revistas Ele & Ela e na Rolling Stone percebeu que pautas que interessavam os jovens como o rap e a indústria do sexo não estavam sendo devidamente abordadas na mídia tradicional e então acompanhou o crescimento do funk em São Paulo. Cobriu então os primeiros bailes da zona leste paulistana e os bailes da baixada santista em que Mr. Catra cantava. Foram matérias como essas que contribuíram para que fosse indicado para a Vice Brasil.

O editor disse ainda que o processo criativo da publicação é igual ao de qualquer redação de qualquer veículo, mas que “o diferencial da vice é a linguagem, a maneira como a gente aborda pautas e decide o que é pauta e o que não é.” A ideia é criar um clima meio “mesa de bar”, ressaltando a importância de comunicar com o público jovem de maneira mais direta: “o jovem não quer que você fale com ele de uma maneira condescendente.” Maleronka alertou no entanto, para a necessidade de adequação do formato ao tema abordado, evitando pecar pelo excesso: “não se pode ser nem Polyanna nem o Datena.”

Apresentando uma reportagem de 1995 sobre a disputa por terras ocorrida após a descoberta da existência de índios em Corumbiara, Rondônia, Pablo Pereira destacou a importância da qualidade na apuração, além da possibilidade de realização de matéria sobre os bastidores do jornalismo. Na expedição para Rondônia, Pablo e sua equipe passaram três dias entrando e saindo da selva no processo de apuração.

A reportagem foi muito contestada, pois à época a posse de terras era um tema muito polêmico. Chegaram até mesmo a questionar a veracidade da ida dos jornalistas à região, o que fez com que Pablo reforçasse sua mensagem: “guardem suas anotações, guardem seus bloquinhos pois cada vez mais dados são contestados”. Em 2009, 14 anos após a publicação do material original, Vincent Carelli transformou o material audiovisual que havia sido coletado em um documentário de longa-metragem. Chamado Corumbiara, foi o primeiro documentário a vencer um kikito em Gramado.

Em entrevista concedida à repórter Júlia Belas exibida em vídeo, Ernest Sotomayor criticou o uso da expressão “fake news”: “quando pessoas espalham histórias fraudulentas não é algo apenas falso, é fraude e deve ser chamado dessa forma”. Quando questionado acerca do que pode ser feito para combater as notícias fraudulentas, o professor de Columbia afirmou que “o melhor que podemos fazer é fazer nosso trabalho direito”, salientando a importância do fact-checking.

A 12ª Semana Estado de Jornalismo reúne alguns dos maiores jornalistas do País para uma debates e palestras voltados a estudantes de jornalismo. Nesta edição que aborda o “Jornalismo em Rede”, o evento atraiu alunos de 60 universidades de todo o país. Os participantes recebem certificado de horas compridas e podem concorrer ao 12º Prêmio Santander Jovem Jornalista, que garante ao vencedor bolsa de estudos de um semestre letivo na Universidade de Navarra, na Espanha.

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