Filosofando com Boris Casoy
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Filosofando com Boris Casoy

Redação

05 Outubro 2011 | 18h21

Foto: Paulo Liebert/AE

Ontem tivemos um bate-papo com um dos maiores ícones do rádio e do telejornalismo brasileiro: Boris Casoy – que atualmente é âncora do Jornal da Noite, na Bandeirantes. Mais do que uma conversa, para mim os comentários de Casoy incitaram várias reflexões sobre o fazer jornalístico, o futuro da profissão e o ensino nas universidades. Não pretendo discorrer longamente sobre cada tópico que me chamou a atenção. Contudo, acho importante citá-los para que vocês, leitores do Em Foca, também reflitam e discutam a atual situação do Jornalismo no País. Vamos lá?

1 – Casoy comentou que, para ser jornalista, “é preciso batalhar e ter cara-de- pau”

Concordo 100% e confesso que me irrito com quem reclama que o mercado “é difícil”. Se você espera o emprego cair do céu, realmente é. Mas, se você corre atrás de vagas e contatos; manda, pelo menos, uns cinco currículos por dia; sugere pautas em veículos que gosta para tentar um frila; ou mesmo expande os horizontes e aceita trabalhos em editorias que não são as suas favoritas, o mercado não é TÃO ruim assim. Estou errada?

2 – Para ele, “o mundo da tecnologia é muito rápido, mas o que importa mesmo é o conteúdo”

Será? Bem, eu queria MUITO que fosse. Mas, a cada vez que assisto à TV aberta, tenho a péssima sensação de que o conteúdo importa cada vez menos. Basta ver o exemplo de algumas emissoras, que tem a tecnologia digital-super-hiper-mega-blaster-full- HD, mas que exibem os piores conteúdos já vistos em rede nacional – e, pior, tem uma audiência considerável. Será mesmo que a mídia nos oferece o que queremos ver? Ou somos obrigados a consumir porque não há outra opção? O conteúdo ainda é a principal preocupação dos meios de comunicação?

3 – Casoy comentou que “a passagem pelo impresso proporciona força, disciplina e uma bagagem incrível”, deixando os jornalistas muito mais preparados para outros veículos

Confesso que fiquei feliz ao ouvir esse comentário, pois sempre senti certa rejeição das pessoas quando dizia que tinha preferência por trabalhar em jornal. Sabe aquela cara de “alou, a internet taí, o jornal vai morrer e o que dá dinheiro é TV!”? Então… Costumo me justificar dizendo que não conheço nenhum jornalista de TV que se destacou no impresso, mas que posso citar inúmeros exemplos de repórteres de jornal que hoje são excelências do telejornalismo. Pois é, o comentário dele foi um incentivo a continuar querendo trabalhar com o querido papel. Resta saber até quando…

4 (e último) – Ainda sobre o tema jornal impresso, Casoy citou a deficiência das universidades em realizar atividades práticas: “Os alunos se gabam por fechar um jornal em um mês, é absurdo. Falta a prática diária…”

Vocês também sentiram falta da adrenalina da redação e do desespero do deadline na universidade? Comentem, repassem, respondam e discutam. Mais do que contar nossas aventuras, também adoramos obter o retorno de vocês!

Gabriela Forlin, de 23 anos, é formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali)