Filosofia para se colocar em prática
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Filosofia para se colocar em prática

Redação

10 Outubro 2011 | 14h05

Entre o que mais me chamava atenção quando fazer este curso era apenas uma possibilidade, estavam algumas aulas  da programação. Filosofia era um dos assuntos. Agora, passado mais de um terço dos dias dessa jornada, acabamos nossa viagem por este terreno onde qualquer passo pode ser em falso. Mas não se enganem, recorrer à filosofia está mais presente do que pensamos e estamos só começando…
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Com o filósofo Luiz Felipe Pondé, que nos visitou durante três semanas, discutimos religião, ciência, e ética. Mas, ainda que todas tenham gerado reflexão, pra mim o último tema foi o que mais despertou a pulga que vive atrás de toda orelha.
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Isso porque, se pensávamos em uma opinião própria sobre os demais assuntos, quando se trata de ética e de moral a coisa muda, e a opinião vem de fora pra dentro.Para falar em ética, podemos aderir a uma ou outra escola, dependendo do assunto, só não podemos deixar de ter em mente que este regulamento dos hábitos humanos existe para transformar nosso convívio, no mínimo, possível. E quando você é jornalista, “mexer” na ética da questão pode ter implicações muito sérias.
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Afinal, trata-se de um serviço público, de interesse geral, embora cheio de subjetividades.Sempre achei que essa coisa de ser 100% imparcial não existe. Existe, no entanto, ser ético o suficiente para não manchar seu trabalho com suas paixões, interesses, gostos ou simplesmente achismos e implicâncias. E também com sua preguiça. E também com sua vontade de se dar bem. Nessas horas, vale lembrar que o nosso compromisso é sempre com a verdade e com o outro – que vai acreditar em você.
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E pode até parecer discurso, mas esse limite do ético e não ético, que se confunde com certo e errado, está muito presente na profissão. O que fazer ao receber um jabá (presente) de assessoria? O agrado de alguém não pode te influenciar? E as aspas, precisam ser exatamente como foram ditas? E, mais, podem ser usadas em diferentes contextos? Um jornalista pode trabalhar em assessoria e em meio de comunicação ao mesmo tempo, vendendo suas pautas para si mesmo ou para colegas? Em caso de dúvida, publicar? De deadline apertado, inventar? Vale trabalhar de graça ou por menos que o piso? Enfim, todas essas questões têm respostas éticas claras que devem estar sempre rondando nosso bom-senso.
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No fundo, os bons profissionais têm muito mais que competência, são reconhecidos por serem éticos. Ganham confiança das fontes, reconhecimento dos chefes (se estes forem éticos também), e apreço dos leitores.

Então, vale ficar atento ao código de ética dos jornalistas, em vigor há mais de 20 anos e reformulado recentemente. Vale também discutir, ler, ir atrás de informações e procurar exemplos, muitos dos quais estão até mesmo no cinema, como o muito conhecido pelos professores das faculdades O preço de uma verdade (de um jovem que publicava histórias mentirosas). De resto, vale sempre discutir e pensar a respeito. Mas o que vale mesmo é não deixar a ética virar assunto só de aula de filosofia.

Jacyara Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)