Focas capixabas
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Focas capixabas

Redação

22 Setembro 2011 | 17h44

Desenho: Dia Porto / Creative Commons

Logo no início, Chico Ornellas avisou aos 30 focas do Curso Estado de Jornalismo que estaríamos vivendo uma experiência parecida com a residência que os médicos enfrentam depois de se formar. Ele se referia à entrega, quase total, à profissão durante o tempo em que essa jornada durar. E acontece mais ou menos assim: com os que saíram da faculdade de Medicina, noites viradas em um hospital; no nosso caso, filhos do Jornalismo, horas e horas (e horas) em um jornal. Mas, essa não foi a primeira vez que ouvia essa metáfora para um curso de focas.

Na verdade, quem é de Vitória costuma ser familiarizado com ela. O Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta – empresa de comunicação do Espírito Santo – chega à 14ª edição em 2011. E há dois anos eu estava lá, participando da 12ª turma (agora, sou da 22ª no Estadão, pra quem acredita em “coincidência”). Quando fiz o curso capixaba, por dois meses e meio, tive aulas, ouvi palestras, rodei pelas editorias das redações multimídia (de impresso, rádio, tv e online), ajudei a fazer um caderno especial de encerramento, fiz amigos e acumulei histórias. Parecido com o que faço, agora, no Grupo Estado, e exatamente como farão 15 novos focas, em Vitória. Saiu hoje a lista de aprovados para a “residência“, pessoas que sentirão esse frio na barriga bom.

Ainda lembro que, com excitação de foca, minha primeira editoria por lá foi Cidades, onde pude acompanhar uma reportagem especial da jornalista Vilmara Fernandes. Foram três noites trocando as tardes na redação pelas madrugadas na companhia dela, do motorista e do fotógrafo e rodando pela região metropolitana de Vitória para falar dos personagens que também trocavam a noite pelo dia, como nós. Ganhei uma aula de apuração e de bom jornalismo, que valeriam por um semestre na faculdade. Experiência que só pude ter por ser foca…

No fundo, acho importante que cursos como o do Estadão sejam procurados por todo o Brasil – e só em São Paulo são quatro, além dele, o da Folha, o da Abril e o do Valor Econômico. Perto ou longe de casa, trata-se de uma experiência de aprendizado para os jovens jornalistas, além de chances maiores e reais de entrar no mercado de trabalho,  que, a gente sabe, nem sempre é fácil.

Jacyara Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)