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Repórteres defendem jornalismo mais humano

Redação

25 Outubro 2013 | 16h31

Por Pedro Sibahi

“Se alguém não me contar uma história extraordinária, não é porque esta pessoa não tem uma história extraordinária, mas eu é que não fui capaz de buscá-la”. Essa frase de Eliane Brum, citada pela jornalista Daniela Arbex, deu o tom para o primeiro bloco do último dia de palestras na Semana Estado de Jornalismo. A sessão se dedicou a debater Reportagens Ganham Vida na Cidade, mostrando a importância de buscar histórias diretamente na vida das pessoas comuns.

A cobertura das manifestações em São Paulo foi o primeiro tópico, apresentado pelo repórter Bruno Paes Manso, do Estadão. Ele apresentou toda a cronologia de matérias realizadas no jornal, desde os primeiros atos organizados pelo Movimento Passe Livre, até o protagonismo do que ele chama “segunda geração de black blocs”. Manso ressaltou que o papel do jornalista “é traçar as conexões invisíveis, que a TV e os vídeos não mostram”. Para realizar essa empreitada, ele considera fundamental acompanhar os fatos in loco, conversando com todos os envolvidos.

Daniela Arbex iniciou sua fala contando que considera um erro a ideia de que grandes reportagens nascem de grandes pautas.“Grandes reportagens nascem da capacidade do repórter ouvir e transpor a realidade para o papel”, explicou. A partir disso, ela contou um pouco sobre como realizou algumas de suas matérias premiadas, além de pautas menores, que considera significativas. Entre os exemplos, citou o caso Koji, que nasceu de uma conversa com um taxista e terminou por levar o presidente da câmara municipal de Juiz de fora, que estava há vinte anos no poder, à exclusão da vida política por envolvimento com corrupção.

O primeiro bloco do dia foi finalizado pelo jornalista Pablo Pereira, que faz o Blog da Garoa, criado em 2009. Ele falou da necessidade de contar a história da capital paulista em uma plataforma online, coisa que até então não existia, e como precisou balancear uma visão romantizada do passado com a realidade dura que se faz presente na atualidade. Para isso, Pereira ressaltou a importância da integração multimídia, que permite contar histórias mais ricas. Ele também afirmou que o jornalismo brasileiro é muitas vezes acusado de ser “chapa-branca”, pois a maior parte dos dados públicos é produzido pelo governo, mas apontou que sempre há uma saída para esse empasse: buscar as histórias nas ruas, diretamente com a fonte primária, que é a população.