Infografia: a nova linguagem do jornalismo
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Infografia: a nova linguagem do jornalismo

Carla Miranda

22 Outubro 2015 | 07h52

Por Jamylle Mol

Quem nunca ouviu algum colega de faculdade dizer que escolheu o jornalismo porque não gosta de números? O painel ‘Infografia e dados: o lide em planilhas e formas’, que aconteceu na tarde desta quarta-feira, 21, segundo dia da Semana Estado, mostrou que, atualmente, esse discurso parece não ser mais tão usual. De acordo com o jornalista Paulo Saldaña e o diretor de arte do Estadão, Fabio Sales, os números estão cada vez mais presentes no dia a dia das redações e saber lidar com eles pode ser um grande diferencial.

“Hoje, a multidisciplinaridade é o caminho do jornalismo. Não adianta estar na redação e achar que só fará aquilo que é da natureza da sua formação acadêmica”, explica Sales. Segundo o diretor de arte do Estadão, o repórter precisa ter a capacidade de olhar para os gráficos e números e descobrir uma história por trás das tabelas. Da mesma forma, os infografistas precisam olhar para uma história e encontrar a melhor forma de traduzi-la em números. “É necessário um grande cuidado para aplicar um gráfico e o profissional deve se perguntar sempre se o assunto ficou mais simples ou mais complexo de se entender”, diz.

Paulo Saldaña, repórter de Metrópole do Estadão e atual ganhador do prêmio Esso de Jornalismo com a reportagem “Farra no Fies”, também desmitifica a ideia de que jornalistas e números são grandes inimigos. “Não importa se você gosta ou não de dados. Você certamente terá que trabalhar com isso”, conta.  Saldaña contou um pouco dos processos de apuração e disse que, às vezes, é preciso saber “entrevistar as planilhas”.

Saldaña e Sales - Semana Estado 2015. Foto: Humberto Abdo

Saldaña e Sales – Semana Estado 2015. Foto: Humberto Abdo

Em muitos casos, jornalismo e matemática caminham juntos e o resultado dessa parceria pode ser bem interessante. Como exemplo disso, os convidados desse segundo painel mostraram alguns trabalhos produzidos pelo Estadão Dados, entre eles o Especial Carnaval 2015, Especial Lava Jato e Especial Medina.

Durante a rodada de perguntas final, um dos estudantes questionou: “E quem lê jornalismo de dados?”. A resposta, segundo Saldaña e Sales, é: todos, desde que a produção seja bem feita, atrativa e com boas informações. “A infografia é uma linguagem jornalística que, antes de ser bonita, tem que ser usual”, explica Sales. “No jornalismo de dados, você deve que ser o mais simples possível”, completa Saldaña.