Informação é fundamental para lidar com a crise de falta de água no País, defende especialista
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Informação é fundamental para lidar com a crise de falta de água no País, defende especialista

Redação

12 de junho de 2015 | 16h38

Coordenadora da Aliança pela Água defende melhor acesso à informação para resolver problema de falta de água

Coordenadora da Aliança pela Água defende melhor acesso à informação para resolver problema de falta de água

Por Fellipe Bernardino

Sem informação de qualidade não será possível resolver o problema da falta de água em São Paulo e em outras regiões do Brasil. É essa a opinião da consultora de recursos hídricos e coordenadora do projeto Aliança pela Água, Marussia Whately. Para ela, que esteve presente na última tarde de palestras da Semana Estado de Jornalismo Ambiental, “o não acesso à informação acaba sendo um impeditivo para lidar com uma situação de crise”. Esse problema tem origem logo na divulgação de dados oficiais pelas instituições de governo, em diferentes esferas de poder. “Primeiro você tem que entender que se tem uma crise e depois assumir a crise. Uma das condições fundamentais para isso é ter acesso aos dados”, defende a pesquisadora.

A página da Agência Nacional de Águas (ANA) é um exemplo de plataforma de dados que ainda precisa ser aperfeiçoada. “Mesmo no site da ANA, onde há muita informação, nós não temos ampla cobertura de dados sobre a situação geral da crise hídrica no Brasil”. Embora haja ali um número razoável de dados sobre a situação de São Paulo, faltam no site da agência, por exemplo, mais dados sobre a situação da região nordeste, onde também há estresse hídrico atualmente, e até dados relacionados ao interior paulista. Marussia ainda cita deficiências no acesso a informações em poder da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Frequentemente, a forma como números e documentos estão organizados dificultam o entendimento do problema pelas pessoas. “Muitas vezes o dado está lá, mas da forma que ele está é muito difícil de entender esse dado”. Todas essas dificuldades têm reflexos no trabalho do jornalista. “Primeiro porque, do ponto de vista institucional e legal, a gestão da água é uma coisa muito complexa”, pondera Marussia. Para ela, há dificuldade inclusive para se entender as diferentes atribuições de responsabilidade em relação à gestão dos recursos hídricos. “Elas não são dadas muito claramente e às vezes acabam dificultando a cobertura”.

Uma consequência de todas essas dificuldades são distorções de representatividade geográfica na cobertura jornalística da crise hídrica. “O problema da falta de água em São Paulo ganha uma proporção muito maior do que o problema da falta de água no nordeste, apesar de a gente ter hoje, no nordeste, mais de cem municípios em situação de calamidade pública por causa da falta de água”, critica a especialista.

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