Jéssica Mota e Marina Dias: o fact checking político como ferramenta jornalística
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Jéssica Mota e Marina Dias: o fact checking político como ferramenta jornalística

Carla Miranda

22 Outubro 2015 | 17h20

Jéssica Mota e Marina Dias - Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes
Jéssica Mota e Marina Dias – Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Por Luciana Amaral

A população é bombardeada por dados e números todos os dias em discursos feitos por políticos e em programas partidários na televisão. Entretanto, como saber se aquelas informações são verdadeiras? Como saber que não está sendo enganado? É preciso checar as afirmações e verificar se os fatos estão corretos: o fact checking.

Incomodada com a veracidade das falas dos candidatos à presidência da República nas eleições de 2014, a Agência Pública de Jornalismo criou o “Truco!” no final do ano passado. O projeto investiga a viabilidade de propostas e analisa estatísticas apresentadas por parlamentares em parceria com o portal Congresso em Foco, baseado em Brasília.

As repórteres do “Truco!” Jéssica Mota e Marina Dias afirmam que há muitos dados divulgados com deturpações, descontextualizações e exageros. Para Jéssica, isso se dá principalmente na Câmara dos Deputados. “A gente percebe que têm discursos muito generalistas, pouco factuais. Tem um pouco de manipulação da informação.”

Ela diz que, por vezes, os políticos se aproveitam de uma posição de poder para tentar legitimar um discurso devido a fatores como a falta de conhecimento de processos políticos por parte das pessoas, falta de transparência e a dificuldade de confirmar informações em tempo hábil.

Marina afirma que um dos papeis do “Truco!” e dos jornalistas é esclarecer o que é dito. “Temos de deixar as coisas mais claras. Fazemos isso por meio de infográficos, por exemplo. Já explicamos processos e como funciona um projeto de lei.”

Jéssica acredita que o repórter deve lembrar que o leitor nem sempre é um especialista no assunto. “Tem de ter a habilidade de traduzir, ver o que é importante, o que o atinge, tirar e decifrar os termos técnicos. É uma combinação entre saber traduzir aquilo e se preocupar com a linguagem.”

Segundo as repórteres, o trabalho realizado pelo “Truco!” pode incentivar uma cultura de fact checking entre as pessoas, em especial na web, e em redações.

“Tem muita coisa falsa sendo compartilhada nas redes sociais. O fact checking tem de estar no nosso dia a dia. Não é porque o fulano falou que é verdade. A técnica ainda melhora a qualidade da reportagem”, considera Marina. “Esperamos melhorar a qualidade do debate e convidar os leitores a trazer dados novos. Isso era muito claro na época das eleições. É um negócio que estimula a participação e o questionamento.”