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Jornalismo Literário

Redação

13 Novembro 2011 | 12h00

Embora o termo tenha sido consolidado entre as décadas de 60 e 70, com a geração de Gay Talese e Tom Wolfe, já nos anos 1915 a revista Vanity Fair dava mostras dessa tendência que ficou conhecida como New Journalism, ao inspirar-se em um jornalismo de atualidade feito por escritores. Anos depois, Harold Ross fundou a revista que é a principal referência em jornalismo literário até hoje: The New Yorker. A fórmula editorial, que começa com textos curtos, passa por reportagens longas e literárias, apresenta ao menos um texto de ficção e é ilustrada somente com cartoons, é a mesma desde os anos 30 até hoje. A consolidação desse gênero e suas características principais foram o tema da palestra de João Gabriel de Lima, diretor de redação da revista Bravo!, a que alguns focas foram assistir na última terça-feira, na FAAP.

Para ele, são três os principais aspectos a serem observados nesse tipo de texto. O primeiro deles é buscar sempre a clareza. O segundo, manter a autoria. Significa dizer que o estilo de quem escreve deve ser sempre preservado, evitando-se textos padronizados.  O terceiro, e mais importante, é mergulhar no assunto, com objetivo de efetivamente gerar conhecimento. Jornalismo literário é, portanto, a batalha da clareza, do estilo e do aprofundamento. Mas não é preciso necessariamente escrever textos longos para se fazer jornalismo literário. E quebrar alguns paradigmas é muito saudável, como já lembrou nosso colega Gabriel Navarro. A internet também é lugar para esse tipo de escrita. Muito mais do que ser o espaço do texto curto, a internet é o espaço do texto infinito.

Para aqueles que pretendem enveredar por esse caminho, seguem algumas sugestões de leitura feitas pelo diretor da Bravo!:

– revistas Vanity FairThe New Yorker e Esquire. No Brasil, a Piauí

– livros clássicos do jornalismo literário:

Hiroshima, de John Hersey;

Filme, de Lillian Ross;

A Sangue Frio, de Truman Capote

– fiquem atentos aos textos de Adam Gopnik, Jon Lee Anderson, Malcom Gladwell, Sérgio Augusto, Ruy Castro, Daniela Pinheiro e Eliane Brum.

Heloisa Aruth Sturm, de 29 anos, é formada em Direito e em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)