Jornalista ambiental não precisa ser um especialista
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Jornalista ambiental não precisa ser um especialista

Redação

10 de junho de 2015 | 17h35

Por Rafael Aloi

No segundo dia de palestras da 3ª Semana Estado de Jornalismo Ambiental, Silvia Martinez, diretora do programa Good News, da RedeTV, conversou com o Blog Em Focas e aproveitou para dar dicas aos jornalistas iniciantes sobre como é o trabalho em jornalismo ambiental, e frisou que não é necessário ser um especialista na área para fazer reportagens sobre o assunto.

SilviaMartinez

Para Silvia, o importante é que o jornalista aja como um leigo para conseguir explicar os fatos da melhor forma possível para a sua audiência. “O jornalista de meio-ambiente não é um ambientalista, assim como o jornalista de economia não é um economista. O especializado é o ambientalista, o jornalista está lá para aprender, e vai aprender com os especialistas da área. Se engana quem acha que só por que cobre jornalista ambiental é o especialista na área, se pode ter mais facilidade para debater sobre o tema, mas nós não somos especialistas”, explica.

No início da carreira, a jornalista não pensava em trabalhar com o meio-ambiente, mas que acabou sendo convidada a se unir à equipe do programa e se apaixonou pelo tema. “Quando eu me formei, essa questão de jornalismo ambiental não era tão comentada. Eu fui aprendendo sim na prática, não tenho vergonha nenhuma de falar isso, porque é assim que a gente aprende”, conta.

Na televisão, Silvia apresenta muitas matérias feitas em lugares distantes, como Antártica ou Patagônia, mas ela indica aos jovens jornalistas que é possível trabalhar com o tema mesmo em grandes cidades: “basta olhar pro seu lado. Você pode falar de meio-ambiente, falando das nascentes que tem dentro da cidade de São Paulo. É só você se dar o direito de olhar ao redor. As pessoas que vivem na cidade também se relacionam com a questão da sustentabilidade, está tudo muito interligado”.

Jornalismo ambiental na televisão

O público diverso da TV aberta se torna um grande desafio ao preparar as narrativas das matérias que serão apresentadas. “É complicado você traduzir muitas questões que tem uma questão política, ou de leis, para um público geral. É um público muito variável, tem de jovens até adultos mais maduros, de 50 anos para cima, a gente fala para um público diversificado”, esclarece.

Silvia explica que uma das maiores dificuldades ao se trabalhar com o meio-ambiente na televisão é o processo de captura de imagens. “Não adianta só contar, é preciso mostrar. Quando você fala de bicho, você não consegue marcar hora com bicho. ‘Vamô lá bugio, vamos fazer aquela entrevista?’ Não dá! Então você fica muito à mercê da meteorologia, à mercê da realidade, da dinâmica da vida como um todo. Isso é bacana para falar para quem é estudante de jornalismo e pretende trabalhar com jornalismo ambiental no segmento TV, que nós vivemos à mercê dos acasos”, conclui.

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