Jornalista Paulo Henrique Lobato analisa as fases da cobertura de desastres naturais
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Jornalista Paulo Henrique Lobato analisa as fases da cobertura de desastres naturais

Carla Miranda

18 Outubro 2016 | 19h50

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Palestrante da Semana Estado, jornalista Paulo Henrique Lobato

Por Alline Magalhães

O jornalista do Estado de Minas, Paulo Henrique Lobato, que veio à Semana Estado de Jornalismo para falar sobre a cobertura do desastre de Mariana, conta que reportagens sobre temas como este possuem diferentes fases de abordagem. “A primeira fase é contar a história das vítimas e contar o que aconteceu”, disse Lobato.  No caso da tragédia da Samarco, durante esta primeira etapa, foi importante contar onde fica e como é Bento Rodrigues  – o distrito mais afetado pelo mar de lama do rompimento da barragem.

Em seguida, Lobato explicou que é papel do repórter buscar as causas do evento, fazendo uma análise mais aprofundada.  “Na segunda fase, você vai encontrar a maior parte da notícia, lá na delegacia da polícia federal ou no gabinete do procurador, que está investigado”, diz ele.  Para Lobato, atualmente, o noticiário referente ao desastre de Mariana ainda está nesta etapa.

Conforme a visão do jornalista, haveria ainda uma terceira fase na qual devem ser apreciados os desdobramentos do evento. “A terceira fase é para sempre. Por exemplo, até hoje não foi encontrado o corpo de uma vítima e as pessoas ainda não receberam todas as indenizações que têm direito. Ainda não houve nenhuma prisão por causa disso e, provavelmente, vai ser a primeira prisão por crime ambiental no Brasil”, acrescenta.
Lobato conta ainda que o jornal onde trabalha segue acompanhando de perto a situação das pessoas que tiveram que ser realocadas, o estado das regiões e do rio afetado, bem como o sistema de fornecimento de água.  Para ele, a tarefa fundamental do jornalista é descobrir onde ocorreu o erro que irá gerar o fato noticioso e, então, fazer a denúncia.