Jura?
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Jura?

Redação

18 Novembro 2010 | 19h26

Situações desesperadas pedem medidas desesperadas. Foi este o mote que guiou, de maneira inusitada, quase em estilo pastelão, uma visita à USP em busca por fontes para o nosso suplemento.

Na última sexta-feira, eu e as focas Andréa e Carol fomos à universidade entrevistar um geofísico. Tudo certo, agendado com antecedência, sem nenhum estresse. Porém, durante a entrevista, percebemos a necessidade de conversar com outros especialistas. Como já estávamos no câmpus, decidimos otimizar a visita e tentar encontrá-los mesmo sem marcar previamente.

Entre as fontes, um grande geógrafo, Jurandyr Ross, nos deu um baile.

Batemos à porta de sua sala, nada. Fomos ao Laboratório de Geomorfologia, também não. Mas disseram, nos enchendo de esperança, que ele ainda estava no prédio.

– Jura?
– Sim, inclusive o apelido dele é Jura
– brincou uma pesquisadora do laboratório.

Decidimos nos dividir e montar guarda em diversos pontos até o encontrarmos. E assim ficamos por cerca de uma hora… Até que cansamos e resolvemos partir para o ataque. Na secretaria, nos disseram que ele tinha barba grisalha e estava vestindo camisa vermelha e jaqueta bege.

– Beleza, agora vai ser fácil.

Doce ilusão. Várias pessoas estavam exatamente assim – e claro que nenhuma era o professor. Então começamos a falar repetidamente, em alto e bom tom, na tentativa de chamar a atenção da pessoa certa:

– Jura?

A esta altura, o pessoal da secretaria já estava comovido. Tentaram entrar em contato, mas não tiveram sucesso. Para ajudar, imprimiram uma foto, em tamanho A4, do rosto do professor. Munidas do retrato, fomos ao estacionamento tentar reconhecê-lo, já que seu carro ainda estava lá e ele deveria ir embora a qualquer momento.

Sentamos na vaga ao lado e continuamos com a foto nas mãos. Não demorou muito e um senhor passou no local com uma expressão ao mesmo tempo curiosa e espantada.

Olhamos para o retrato, olhamos para ele e não tivemos dúvidas.

– Jura!

Fomos ao seu encontro. Surpreso e indignado com a foto que não fazia jus a sua aparência, ele foi receptivo e muito simpático. Mesmo atrasado, topou dar a entrevista na hora, com toda paciência de professor.

Ao final da tarde, voltamos para a redação. Estávamos acabadas, mas, ao mesmo tempo, felizes por desenvolver uma técnica de inédita: apuração bizarro-incisiva – e um tanto divertida!

Amanda Agutuli, de 25 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e em História pela Universidade de São Paulo (USP)