Laura Diniz fala sobre inovação e explica o trabalho do Jota
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Laura Diniz fala sobre inovação e explica o trabalho do Jota

Jornalista conversa com o Estadão sobre tecnologia e cobertura especializada

Redação

28 Setembro 2018 | 12h16

Por Carlos Henrique Costa

Laura Diniz, sócia e diretora de desenvolvimento do Jota. Foto: Sara Baptista

Criado em 2014 com foco na cobertura do poder judiciário, o Jota expandiu sua área de atuação e atualmente investe na tecnologia para qualificar o conteúdo. A mais recente inovação do portal atende pelo nome de Rui Barbot: trata-se de um robô que monitora processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). “Nossa ideia é avaliar não só as escolhas dos ministros, mas também os processos que eles deixam para trás”, esclarece Laura Diniz, sócia e diretora de desenvolvimento do veículo.

O bot surge a partir de um ideal que deu gênese ao termo journalytics. Laura explica: “É uma ligação mais profunda de pensar os dados e transformar em informação jornalística”. A iniciativa vem à tona em um contexto de expansão da cobertura do Jota, que nasceu focado no judiciário e ao longo dos anos começou a atuar em instituições de outros poderes.

“Ficar só na justiça não dava ao nosso assinante o contexto suficiente e nem as inter-relações importantes com o legislativo e o executivo”, conta Laura. “A ideia é que a informação não seja algo só bacana de se ter. Ela tem que ser útil, transformar a visão das pessoas sobre os fatos que elas precisam saber para tomar decisões no trabalho”.

A expansão não se restringe apenas aos assuntos abordados. O processo também demanda mudanças na produção do portal. “O nosso trabalho, para o público mais geral, é captar o que há de mais importante. Para o público especializado, a gente tem diferentes perspectivas. Algumas pessoas querem saber rapidamente, por isso a gente manda conteúdo por WhatsApp. Para outros, o mais importante é ter uma precisão absurda de argumentos e de resultado de julgamentos”, diz Laura.

Para a sócia, essa distinção entre os leitores impacta no modo de trabalho dos jornalistas e altera sua rotina. Os repórteres têm de ser polivalentes para dar conta das diferentes camadas do conteúdo. “Precisa de domínio sobre o assunto. Se não souber, não tem como traduzir nem como detalhar [o juridiquês, por exemplo]. Se acontece algo que pode impactar no mercado financeiro, é preciso traduzir para uma linguagem mais simples, já que o investidor é economista, não é advogado”.

De acordo com a premiada jornalista, a logística da informação geralmente é a seguinte: “Primeiro a gente manda alerta pelo WhatsApp, mas continua cobrindo. Depois costumamos mandar um outro alerta e um resuminho para as redes sociais. No fim do dia, sai um conteúdo mais trabalhado, mais mastigado, para o site. Uma outra pessoa faz uma newsletter para que o advogado que não estava lá possa ler o que aconteceu. Traz quais temas estavam em julgamento, quais argumentos não foram aceitos, etc. Tudo é material de trabalho para o assinante, e a palavra tem que ser a correta, não pode haver dúvida”.

O grau de especialização na cobertura também fez com que o Jota adotasse uma estrutura comum a veículos mais tradicionais: os setoristas. “A gente resgatou essa função. Temos gente de tribunais, quatro pessoas no Supremo, quatro no Congresso, outros no STJ, TSE (quando há eleições). Também cobrimos tribunais administrativos como o CARF, e os repórteres estão ligados nas discussões que estão ocorrendo em outros poderes”.

É justamente na contextualização dessas questões que entram as inter-relações abordadas por Laura. “Por exemplo: saber que o judiciário vai colocar em julgamento um determinado processo está relacionado com a possibilidade de o legislativo pautar a votação de um projeto de lei sobre o mesmo assunto. Faz diferença para o nosso leitor”.

Por fim, a jornalista especializada em política explica como o portal funciona. “Trabalhamos com assinatura do site por R$ 20. Também há assinaturas de produtos temáticos. A cobertura é versátil: temos os alertas, que também tratam de temas diversos, mas em um único canal, no Whats, em que é possível tirar dúvidas do assinante. O editor responde. Se não souber, vai apurar”.

Há ainda o conteúdo patrocinado. Segundo Laura, “o patrocinador pode pagar por 50 matérias por ano sobre um tema. Mas ele não lê antes e nem dá pitaco sobre os argumentos editoriais. Uma vez que o patrocinador entende e vê valor em juntar a marca dele a uma discussão relevante, flui muito bem”.

Para não deixar dúvidas, a sócia alerta: trabalhamos com informações públicas em que a gente agrega curadoria, mas não há interferência editorial. Nós não prestamos consultoria”.