Leonêncio Nossa e os desafios da grande reportagem
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Leonêncio Nossa e os desafios da grande reportagem

Carla Miranda

21 Outubro 2015 | 19h21

Por Jamylle Mol

“Um auditório cheio como esse é a maior certeza de que a reportagem vai continuar por outras gerações”. Foi assim que o repórter especial do Estadão, Leonêncio Nossa, abriu o primeiro bloco de palestras nesta quarta-feira, 21, no segundo dia da Semana Estado de Jornalismo. Em meio à discussão sobre as grandes reportagens, o jornalista mostrou um pouco dos seus trabalhos e resumiu o que, para ele, significa ser repórter: “não há nada melhor do que dar vida a uma história”, diz.

As grandes reportagens, segundo Nossa, são aquelas que demandam muito tempo de apuração. Produções como essas envolvem negociações com fontes de diversas partes, um trabalho de pesquisa detalhado e, sobretudo, muita persistência e paciência do repórter. De acordo com Nossa, é fundamental ter a consciência do papel da narrativa jornalística e, desde a apuração até a escrita, ser fiel à história que se pretende contar.

Leonêncio Nossa - Semana Estado de Jornalismo 2015

Leonêncio Nossa – Semana Estado de Jornalismo 2015 Foto: Isabella Macedo

Nossa é autor de grandes reportagens, entre elas “Mata! O major Curió e as Guerrilhas no Araguaia”, “Homens Invisíveis”, “Favela Amazônia” e “Sangue Político“, e duas vezes vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo. Sobre o desafio de abordar temas tão delicados, como crimes políticos e ditadura militar, o jornalista resume: “o repórter não pode ter muito medo nesses casos. Mas também não pode ter muita coragem”.

O jornalismo mudou. Hoje, as possibilidades para narrar uma história vão muito além do texto e da fotografia. No entanto, segundo Nossa, não importam tanto os instrumentos, os aplicativos, os modelos e as novas tendências. O que importa, na verdade, é escolher a melhor forma para cada narrativa em particular. “As grandes histórias estão dentro de vocês”, diz.