Marcelo Bauer dá dicas para fazer projetos de jornalismo digital
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Marcelo Bauer dá dicas para fazer projetos de jornalismo digital

Ele participou da 12ª Semana Estado de Jornalismo e destaca a importância da narrativa nos meios digitais

Redação

27 Outubro 2017 | 20h15

Marcelo Bauer trabalha com webdocumentário na produtora Cross Content

 

Por Bruno Vieira

Há três elementos principais que devem ser levados em conta ao se fazer jornalismo digital, de acordo com o jornalista Marcelo Bauer. Primeiro deve se pensar em como aquele produto vai chegar ao público, quais são os meios de distribuição. Também é necessário montar um modelo de negócios, planejar como o projeto pode ser rentável.

Porém, segundo Bauer, a parte mais importante acaba sendo deixada de lado: buscar e estudar novas narrativas. Ele diz que os jornais, por uma questão de sobrevivência, preferem investir mais tempo e dinheiro nos dois primeiros pontos. “Mas é justamente na narrativa que está o lado inovador, a possibilidade de fazer coisas novas”, afirma.

Ele já passou por jornais como o Estadão, Folha de S. Paulo e O Globo, e sempre teve interesse pelas possibilidades que a internet traz para a profissão. Mais recentemente tem trabalhado com o formato de webdocumentários na produtora que fundou, a Cross Content.

Bauer destaca que, tanto no webdocumentário quanto em outros projetos de jornalismo digital, é importante que as mídias e tecnologias sejam utilizadas de forma coerente com a narrativa. “É necessário pensar sempre qual narrativa se beneficia mais de cada ferramenta”, diz. “Não dá para simplesmente fazer um portfolio de recursos visuais”.

Um bom exemplo que ele cita, é “Snowfall”, webdoc multimídia lançado pelo New York Times em  2012. De acordo com o jornalista, o projeto foi um divisor de águas. “Ele criou um modelo que foi seguido por todo mundo”, comenta.

Para jornalistas que querem se aventurar em projetos digitais, Bauer considera essencial ter um entendimento básico ou intermediário de programação e cinema — segundo ele, a “gramática do  audiovisual”. Mais do que dominar essas linguagens, ter uma familiaridade com elas garante uma melhor comunicação dentro da equipe envolvida na produção.

“Dificilmente você vai fazer um projeto desses sozinhos, sempre vai ter um designer, um programador, um videomaker envolvido”, diz. Saber o básico de vídeo, pode ajudar na hora de orientar quem vai fazer a edição, ou sugerir maneiras diferentes de se filmar algo. Já o básico da programação, é útil na hora de planejar uma matéria multimídia e decidir o que é viável de se fazer ou não.

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