Matéria a várias mãos
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Matéria a várias mãos

Redação

24 Novembro 2010 | 18h17

Se em um dia dois repórteres conseguem produzir uma matéria de 3 mil caracteres cada um, dificilmente se pode esperar que em dupla consigam fazer uma de 6 mil. Não é a simples soma dos esforços; há mais coisa envolvida.

Para o suplemento dos focas, muitas matérias estão sendo feitas em dupla ou trios. Em parte, porque há 30 repórteres para menos de oito páginas, e não há como fazer 30 pautas diferentes. Por outro lado, a matéria em dupla tem uma apuração mais cuidadosa, adequada para um suplemento, que tem um caráter mais analítico e reflexivo. “A apuração é mais ampla. Você consegue falar com mais fontes e, principalmente, ver os fatos por diferentes pontos de vista”, diz o foca Guilherme Waltenberg.

Além da apuração, o texto fica diferente, como diz o foca Gustavo Ferreira. “É difícil escrever a quatro mãos. Talvez seja mais demorado, mas como os repórteres têm de entrar em consenso, o texto fica mais ponderado.” Como não há hierarquia entre os repórteres, ninguém tem autoridade sobre o texto do outro. É preciso muito tato para criticar e, como diz a foca Paula Bianchi, humildade para aceitar críticas. “É um exercício de humildade, todo o processo de entrar em consenso desfaz no jornalista a sensação de que sua visão sempre é a mais certa.”

Confiar no trabalho do outro também é essencial. Apesar da apuração conjunta, muitas vezes os repórteres acabam fazendo uma matéria cada, com uma abordagem distinta. O foca “Cedê” Silva ressalta outra vantagem. “A dupla de repórteres pode trocar os textos, e como o repórter que o lerá está mais bem informado sobre o tema, as críticas ficam melhores.”

Ricardo Santos, de 22 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP)