Mulheres vítimas de violência no campo são foco de reportagem de Ângela Bastos
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Mulheres vítimas de violência no campo são foco de reportagem de Ângela Bastos

Jornalista do 'Diário Catarinense' reuniu depoimentos de camponesas que sofreram agressões físicas de seus companheiros

Redação

25 Setembro 2018 | 18h45

Ângela Bastos: ‘O jornalismo também deve ser feito para aqueles que estão à margem da sociedade’

Por Victor Ohana

A violência contra a mulher afeta diferentes classes sociais, etnias e regiões brasileiras, mas merece uma atenção especial quando ocorre no campo. Isso porque as áreas distantes das grandes cidades sofrem com o isolamento, a ausência de atendimento médico e a ineficiência da polícia. Com essa tese, a jornalista Ângela Bastos, do Diário Catarinense, produziu a reportagem especial Sozinhas: histórias de mulheres que sofrem violência no campo.

O projeto reuniu depoimentos de vítimas de agressões físicas de homens, em grande parte, seus maridos. As entrevistas estão disponíveis em texto, áudio e vídeo. Segundo a jornalista, a proposta é dar visibilidade a esses casos e discuti-los como uma questão de política pública.

“Além das mulheres estarem mais sozinhas no campo, elas também se sentem sozinhas. Muitas estão isoladas em municípios menores que bairros de grandes cidades. Não há serviço de proteção do ponto de vista da segurança pública, nem atendimento às vítimas de violência. Às vezes elas não têm nem médico”, explica a jornalista. “O Estado é ausente em praticamente tudo, mas, no campo, moram menos pessoas. Então, não interessa muito aos governos estar de olho onde tem menos gente, menos eleitores”.

A imprensa e a vulnerabilidade social

Não é a primeira vez que Bastos se envolve em temas relacionados à vulnerabilidade social. A jornalista é pós-graduada em nível de Especialista em Metodologias para o Atendimento de Criança em Situação de Vulnerabilidade e em Políticas Públicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Ela também foi reconhecida pela UNICEF como “Jornalista amiga da criança”.

Para ela, os veículos de comunicação têm um papel decisivo na solução desses problemas.

“O jornalismo não é apenas para nossos leitores e telespectadores. O jornalismo também deve ser feito para aqueles que estão à margem da sociedade. Existe um mundo em que esses veículos precisam estar presentes, para dar cara e voz a essas pessoas e cutucar as autoridades. Essa realidade precisa ser vista e encarada”, justifica.