‘No jornalismo, é preciso de alguém que entenda de negócios’, diz dono do Meio

‘No jornalismo, é preciso de alguém que entenda de negócios’, diz dono do Meio

Criador da startup Meio, Pedro Dória avalia que jornalistas precisam de apoio de gestores para se manter no mercado

Redação

24 Outubro 2017 | 20h19

Por Stefano Wrobleski

Convidado da Semana Estado de Jornalismo, Pedro Dória considera que os profissionais da área devem trabalhar ao lado de pessoas com experiência de negócios. “Essa figura é fundamental para se montar uma startup”, diz. Pedro é um dos criadores do Meio, empresa criada em 2016 que distribui um resumo diário de notícias por e-mail – os newsletters. Nesta terça-feira, 24, ele falou sobre novas formas de levar a notícia ao leitor.

O diferencial do Meio é organizar as principais notícias do dia em um só espaço, independentemente do veículo que as publicarem, e entregar ao usuário uma compilação que pode ser lida “em oito minutos”, como a startup divulga em seu site.

Pedro fundou a empresa em sociedade com Vitor Conceição, que tem 20 anos de experiência em empreendedorismo e é a “pessoa de negócios” do veículo. “Vitor é um cara que entende da imprensa e da internet, mas não é jornalista. Imagino que existam jornalistas que tenham capacidade de montar modelo de negócios, mas não era o meu caso.”

O criador do Meio tem ampla experiência em internet. Além de ter participado da criação de dois veículos exclusivamente digitais, Pedro publicou, em 1995, o “Manual para a internet”, primeiro guia brasileiro sobre o tema, numa época em que navegar online significava digitar linhas de código em telas pretas de computador.

Em 2000, três investidores apostaram no site noticioso NO., do qual Pedro foi editor até 2002, quando a bolha da internet estourou e o veículo perdeu patrocínio e foi encerrado. Pedro se uniu com parte da equipe e rumou para um novo projeto, intitulado NoMínimo, que ficou no ar até 2007.

Agora no Meio, o jornalista montou com seu sócio um modelo de negócios, que é o plano da nova empresa para crescer. A startup tem um investidor que permite à equipe, formada por quatro pessoas, se dedicar à produção dos newsletters. “Um dos motivos para isso é que precisamos minimamente nos sustentar enquanto criamos uma base sobre a qual estamos montando o negócio”, afirma Pedro.

Mas, para se tornar o projeto viável financeiramente, o jornalista diz ter um plano de sustento no qual a produção de conteúdo patrocinado está no horizonte. Os newsletters, no entanto, devem permanecer gratuitos.