No último dia do evento, a carreira de jornalistas ambientais
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No último dia do evento, a carreira de jornalistas ambientais

Redação

12 de junho de 2015 | 15h29

Por Júlia Lewgoy, Luiza Facchina e Mariana Lima
Em seu último dia, a 3ª Semana Estado de Jornalismo Econômico mergulhou na gestão da água e na carreira de jornalistas que registram a natureza. O recado que ficou aos estudantes na plateia é que é função de jornalistas, também, pensar em como construir um futuro melhor, e que há espaço no mercado para repórteres com esse perfil.
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Na primeira palestra, o premiado jornalista Luiz Ribeiro, do jornal O Estado de Minas, apresentou a série de reportagens “Nova Fronteira da Sede”, reconhecida pelo prêmio Esso, principal reconhecimento na área de jornalismo impresso. Publicadas em 2013, as matérias mostraram que a seca deixou de ser um problema restrito do nordeste e atingiu o cotidiano de muitos mineiros. “Esse tema é batido”, ouviu Ribeiro na redação, mas ele acredita que alguns temas, além de serem recorrentes, devem ser também permanentes nos jornais. “É papel do jornalista lutar por um mundo melhor”, defendeu.
Ribeiro contou que, como toda grande pauta, a série nasceu de reportagens anteriores, e que foi preciso passar por um longo caminho para construí-la. Mais precisamente, a equipe percorreu 3 mil quilômetros em Minas Gerais.O jornalista incentivou os estudantes a não se acomodarem. “A sombra pode ser confortável, mas, se não encararmos o sol, nunca teremos a chance de mostrar algum brilho”, aconselhou.
Crise de Água
A especialista em recursos hídricos e coordenadora do coletivo “Aliança pela Água“, Marussia Whately, tratou dos recentes problemas causados pela crise hídrica em São Paulo. Durante a segunda palestra do primeiro bloco, a especialista destacou problemas administrativos como um dos principais causadores do desabastecimento de água em 2014. “É comum no Brasil que os gestores públicos façam obras para ampliação de consumo, até porque obras dão visibilidade política, mas deixamos de pensar em como usar melhor esse recurso natural. Se não temos água para consumir essas obras de distribuições não serão mais utilizadas”, disse.
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Marussa destacou as dificuldades da sociedade civil e de profissionais da comunicação em buscar dados referentes à crise hídrica. “Não temos uma administração sustentável e várias vezes tivemos que entrar com pedido pela Lei de Acesso à Informação”, completou. A Aliança pela Água disponibiliza, gratuitamente, um “” no site do coletivo.

Fotojornalismo ambiental

No segundo bloco, a rodada de palestras começou com o fotógrafo documental Érico Hiller, que mostrou seu trabalho mais recente: “Ameaçados: Lugares de risco do século XXI”, sobre a temática humanitária e ambiental.

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O fotógrafo compartilhou os principais dilemas e vivências de seu trabalho. Em 2011, ele iniciou a série mostrando registros do “planeta miguante”, lugares que estão em constante transformação e que sofrem com a presença destruitiva do homem. De acordo com Hiller, grandes projetos de fotografia despertam sensibilidade nas pessoas.

Hiller comentou também que, antes de iniciar um projeto fotográfico de longo prazo, o fotógrafo precisa encontrar o tom de seu trabalho. Além disso, ele lembrou sobre a importância de transformar o trabalho fotográfico em algo autoral. “É sempre um desafio transformar e criar algo mais pessoal. Muitas vezes, não temos a resposta nem o tom do projeto”, pontuou. Ao final da palestra, o fotógrafo apresentou seu trabalho atual, “Jornada dos rinocerontes”, sobre a extinção desses animais.

Visão crítica

Jornalista de viagem e meio ambiente, Xavier Bartaburu foi o último palestrante da Semana Estado de Jornalismo Ambiental. Ex-editor da extinta revista Terra, Bartaburu defendeu que a visão de jornalistas ambientais deve ser multidisciplinar. “O jornalista ambiental é um pouco a soma de vários outros jornalistas. Precisa entender de política, economia, cultura”, explica.

Palestra 2 - Sexta 3

Bartaburu mostrou trabalhos seus na revista Terra, pioneira no Brasil em trazer temas ambientais misturados com assuntos de viagem. “Havia um modo Terra de fazer matérias, com um olhar crítico, de denúncia”, relata. O jornalista destacou que é preciso entender sobre os lugares, ao chegar para fazer uma reportagem, e explorar além das belezas naturais. Para Bartaburu, ter visão periférica sobre um ambiente pressupõe ouvir a fundo as pessoas do local, observar o que está mudando e compreender o que precisa ser preservado.

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